terça-feira, 29 de março de 2011

Pronúncia e Etimologia de "Subsídio e "Obséquio"

Subsídio
O "s" dessa palavra soa como "ss", e não como "z", do mesmo modo que subsaariano, subsecretário, subserviente, subsistência, subsolo.
Para ter som de “z”, o “s” precisa ficar entre duas vogais.Não é o caso.
A palavra subsídio designava uma corporação do exército romano, sub sedio, que era formada por soldados estrangeiros. Essa corporação somente atuava quando havia necessidade de socorro, de auxílio, o que explica o sentido moderno de subsídio.

Obséquio
Das palavras com o encontro “-bs-”, o “s” tem som de “z” somente em obséquio e derivadas (obsequiar, obsequioso, obsequiosidade).
É por um motivo etimológico. Obséquio é da família de exéquias. Elas não são sinônimas, a primeira significa favor, a segunda, cerimônias fúnebres.
A relação de parentesco, porém, fica clara em obséquias, sinônimo de exéquias, e no latim: obsequiae, plural de obsequium(serviço), do verbo obsequi (ceder a, obedecer), com a base sequi(seguir), também presente em exsequiae.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Etimologia de "Napalm"

Napalm é um explosivo usado em bombas incendiárias e lança-chamas. Durante a Primeira Guerra Mundial, os alemães haviam empregado gasolina com o mesmo propósito, mas constataram que se consumia com demasiada rapidez.
Pouco depois de os Estados Unidos entrarem na Segunda Guerra Mundial, Washington destinou fundos a uma pesquisa para fazer com que a gasolina se extinguisse mais lentamente, até que, em 1942, a Universidade de Harvard e o Exército norte-americano encontraram a maneira de misturar a gasolina com uma substância gelatinosa, o palmitato de sódio, para que a combustão durasse mais tempo e, assim, provocasse mais dano. A empresa que o fabrica com exclusividade para o governo norte-americano é a Dow Chemical.
O Napalm foi usado no Japão, Coréia e Vietnam, onde causou tragédias tão horríveis que foi condenado internacionalmente como arma genocida. No Iraque e Afeganistão, os Estado Unidos trocaram o NapalmB por um produto muito parecido, denominado Mark-77, que consideram legal porque não está incluído na proibição das Nações Unidas de 1980.
"O nome napalm deriva do acrônimo dos nomes dos seus componentes originais, sais de alumínio co-precipitados dos ácidos nafténico e palmítico. Estes sais eram adicionados a substâncias inflamáveis para serem gelificadas."
Fonte: Wikipedia

Etimologia de "Foragido"

Delinquente que abandona seus lugares habituais para não ser alcançado pela justiça.
As cidades medievais constituíram uma proteção para as pessoas que queriam defender-se de invasores estrangeiros, malfeitores e saqueadores. Formaram-se em redor dos castelos, como uma maneira de contar com a proteção dos senhores, e também no cruzamento de caminhos, por onde circulavam mercadorias que se convertiam em pretexto para as feiras.

Desde a Alta Idade Média e, em alguns casos, até a primeira metade do século XIX, as cidades tinham limites perfeitamente definidos: em geral, estavam amuralhadas de tal forma, que não se permitia entrar sem a aquiescência dos guardas que as protegiam. Este limite se chamava exido, e seus remanescentes ainda subsistem em algumas cidades modernas. Exido provém de exire, sair, verbo formado pelo antigo vocábulo latino exitus, saída, que também encontramos no inglês exit, com o mesmo significado.

Os fugitivos da justiça costumavam escapar para onde a jurisdição das autoridades urbanas não pudesse alcançá-los e iam viver fora do exido: eram os fora exido ou foraxidos.

Uma palavra equivalente formou-se em italiano com o verbo uscire, sair, que é a forma italiana de exire: fuoriuscito, mas hoje esta palara já não é equivalente ao nosso foragido, pois evoluiu para seu atual significado de exilado, desterrado.

Etimologia de "Claustrofobia"

Significa o medo patológico aos espaços fechados. Quem padece dessa neurose sofre acessos de pânico ou angústia quando se encontra, por exemplo, em um elevador ou num quarto pequeno e fechado. Segundo a psicanálise, a claustrofobia é causada por um sentimento de culpa relacionado com o desenvolvimento anormal da sexualidade.
A palavra – cunhada pelo criador da psicanálise, Sigmund Freud, e registrada em Português nos anos 20 do século passado – está formada pela voz latina claustro e a grega phobeoma, eu temo. Claustrum significa em latim, tranca, ferrolho, fechadura, tudo aquilo que serve para fechar um local e, por extensão, designa um recinto fechado. Derivado do verbo claudere, fechar, este vocábulo está também na origem de enclausurar, fechar de forma definitiva; de incluir, colocar dentro de um espaço fechado e de concluir, encerrar (no sentido de algo terminado).
Em inglês a palavra latina deu lugar aos verbos  to close, fechar, e to disclose , revelar, dar a conhecer, além de originar muitos outros verbos compartilhados com a nossa Língua, tais como: include, incluir, conclude, concluir.

sábado, 26 de março de 2011

Destreza / Destro/ Esquerdo/Sinistro


Você sabe o que é ter destreza, mostrar destreza? É ter habilidade, agilidade, aptidão. Mas o primeiro sentido que aparece nos dicionários para “destreza” é “qualidade de destro”. E o que é “destro” (que se lê “dêstro” -“e” fechado)? É “direito”, ou “que fica do lado direito”.
Como a maioria das pessoas tem mais agilidade com a mão direita (destra) do que com a esquerda, a habilidade acabou sendo chamada de “destreza”.
E quem tem habilidade com as duas mãos é “ambidestro”; quem não tem com nenhuma é “ambiesquerdo”.
Voltando aos destros, veja agora um dos tantos caprichos da nossa querida e inigualável Língua Portuguesa: “Destro” se escreve com “s”, mas em muitas palavras compostas em que entra esse elemento aparece o “x” da raiz latina (“dextru, dexter”): dextrocardia, dextrocerebral, dextrofobia, dextropedal etc.
Ainda com relação ao sentido que as palavras adquirem, é interessante notar o que ocorre com “esquerdo”. A palavra vem do vasconço, ou seja, da língua do País Basco. Em latim, “esquerdo” é “sinistru, sinister”. E o que é “sinistro”, em Português? Além de “esquerdo” (“Mal podia a mão sinistra vibrar a sangrenta espada”, escreveu Gonçalves Dias), “sinistro” tem vários sentidos ligados à ideia de temor, ameaça, mau agouro, maldade etc. Em linguagem securitária (do ramo de seguros), o sinistro nada mais é do que o próprio acidente. Tudo porque o “bom”, o “normal” é o destro; o esquerdo (o sinistro) é “anormal”.
Particularmente, fico indignada com essa conotação, pois a minha agilidade e as minhas habilidades estão concentradas no lado esquerdo, portanto, sou sinistra...mas uma sinistra destra.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Verbo "aprazer" - Conjugação

Tradicionalmente, o verbo “aprazer” é irregular no pretérito (e nos derivados deste): eu aprouve, ele aprouve, nós aprouvemos, eles aprouveram.
Hoje, porém, se aceita a conjugação regular no pretérito desse verbo: eu aprazi, ele aprazeu, nós aprazemos, eles aprazeram.

A opção correta é:
a) Ontem eu me aprazi olhando a Lua.
b) Ontem eu me aprouve olhando a Lua.
c) As duas formas estão corretas.
Letra “c” é, portanto, a resposta correta.

terça-feira, 1 de março de 2011

Use "Aspas" corretamente

Quando redigimos algo e precisamos usar uma expressão em sentido figurado, irônico, para que o leitor perceba nossa intenção, colocamos as palavras entre aspas. Mas será que isso sempre cai bem nos diferentes tipos de textos? Para responder essa questão, precisamos primeiro identificar quando e como esses sinais gráficos devem ser usados.
As aspas são usadas sempre em pares, uma no início e outra no fim do termo destacado. De modo geral, elas são usadas nas seguintes situações:
1- assinalar palavra ou trecho citado ou transcrito
Isso ocorre muito em jornais ou revistas, indicando expressões ou frases ditas por entrevistados, como no exemplo:
“Para mim, 2011 começou hoje, e nos focamos em aprender o máximo sobre os novos pneus”, falou o alemão, que volta a treinar hoje.
Também é possível usar aspas nos trabalhos escolares, marcando um trecho que foi copiado exatamente do modo como estava no texto pesquisado. Nesse caso, o recurso gráfico indica que o trecho pertence a outro autor, por isso, a ausência de aspas caracteriza apropriação indevida do texto alheio, ou seja, crime de plágio.
Em transcrições com mais de um parágrafo, colocam-se aspas no começo de cada parágrafo, mas apenas no final do último.
Quando houver aspas no trecho que está sendo copiado (citado), usam-se aspas simples (‘ ‘) na citação interna, diferenciando-a da citação maior:
O autor afirma que “por pressão da direita conservadora,  a ‘generosidade natalina’ norte-americana excluiu os países pobres de certos programas de benefícios”.
Quanto à pontuação, ficará dentro das aspas se a frase estiver completa; se o trecho entre aspas estiver dentro de outro período, o ponto ficará fora. Exemplos:
“Ele já está recuperado.”
O técnico afirmou que “Ronaldinho vai jogar”.
2- indicar nomes de publicações (científicas, literárias, da mídia) ou de obras artísticas
Também se incluem aqui outros  tipos de títulos, como de artigo de jornal, crônica, de revista, capítulo de livro.
Vejamos um exemplo:
 No artigo “Patrulhas sexuais”, Nelson Mota critica o moralismo norte-americano.
 3- assinalar o uso de palavras que fogem ao uso convencional, como jargões profissionais, gírias, palavras com erros gramaticais, expressões estrangeiras
Exemplo de uso:
Os garotos classificaram o novo jogo como “irado” e muito “fashion”.
Excluem-se os termos estrangeiros já incorporados e as palavras aportuguesadas.
4- destacar expressões sendo mencionadas e não usadas (no futebol, o termo “chapéu” pode significar um tipo de drible) ou com sentido especial, como indicando ironia
Vale lembrar que a ironia não é indicada para textos dissertativos, nos quais se deve evitar o uso de aspas indicadoras de sentidos especiais.
Já nas crônicas ou em artigos de opinião de jornal, a ironia é bem comum.  Veja, abaixo,  em um fragmento do artigo “Patrulhas sexuais”, de Nelson Motta, um exemplo disso:
Os Estados Unidos cancelaram uma doação de US$ 48 milhões para os programas brasileiros de combate à Aids porque nosso governo se recusou a excluir as prostitutas dos programas de prevenção e tratamento como queriam os americanos, que, na era Bush, fazem uma espécie de "seleção moral" para a sua "generosidade". Para eles, quem vive de alugar seu corpo, sua companhia e seus serviços sexuais não merece ajuda para sobreviver à doença mortal.  
Assim, as aspas possuem grande utilidade e podem aparecer nos mais diferentes tipos de textos, desde os científicos (em citações, indicações de palavras com sentido técnico, nomes de publicações...) até os mais descontraídos, como as crônicas (na marcação de ironias e demais sentidos figurados).  Porém, como qualquer outro recurso gráfico, precisam ser usadas de modo preciso e bem dosado, evitando poluir a estética e prejudicar a clareza do texto.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Etimologia de "Eletricidade"

O filósofo grego Tales de Mileto, que viveu por volta do ano 600 a.C., já havia advertido que o âmbar, uma substância resinosa amarelada, ao ser esfregado, especialmente com peles de animais, adquiria a estranha propriedade de atrair objetos leves, como plumas e outros pequenos corpos. Os gregos não sabiam como explicar esse fenômeno, que ficou registrado, então, como um comportamento curioso do "elektron", como chamavam o âmbar.
A palavra foi herdada pelos romanos, que a chamaram "electrum", mas as causas da propriedade de atrair alguns pequenos corpos continuaram ignoradas até fins do século XVI, quando o médico inglês William Gilbert ( 1544 – 1603 ), em pleno Renascimento, publicou seu trabalho De magnete, no qual aventurava as primeiras hipóteses sobre aquela misteriosa característica. 
Devemos ter em conta que então se ignorava a estrutura do átomo e tampouco se sabia da existência dos elétrons, e que a única propriedade conhecida ( ainda não explicada ) da eletricidade, era a que se verificava com o âmbar. Em 1646, outro médico inglês, sir Thomas Browne, escreveu um tratado em latim sobre o mesmo fenômeno, intitulado Pseudoxia epidemica, mais conhecido como Erros Vulgares.
Em 1740, o cientista americano Benjamin Franklin ( 1706 – 1790 ) realizou experiências com uma pipa de papel em uma tempestade. Por esse caminho abordou a eletricidade sob outro ponto de vista, até que se descobriu que o comportamento de raios e trovões estava associado, de alguma forma, às propriedades do âmbar, pelo que todos estes fenômenos foram englobados sob o nome genérico de eletricidade.
Os pesquisadores já começavam a suspeitar de que aquelas surpreendentes propriedades da matéria poderiam chegar a constituir uma fonte de energia, mas estavam ainda longe de conceber até que ponto aquela força desconhecida seria um dia tão importante para a humanidade.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Você tem preconceito linguísitco?

Toda língua possui variações linguísticas. Elas podem ser entendidas por meio de sua história no tempo (variação histórica) e no espaço (variação regional). As variações linguísticas podem ser compreendidas a partir de três diferentes fenômenos:

1) Em sociedades complexas convivem variedades linguísticas diferentes, usadas por diferentes grupos sociais, com diferentes acessos à educação formal; note que as diferenças tendem a ser maiores na língua falada que na língua escrita;

2) Pessoas de mesmo grupo social expressam-se com falas diferentes de acordo com as diferentes situações de uso, sejam situações formais, informais ou de outro tipo;

3) Há falares específicos para grupos específicos, como profissionais de uma mesma área (médicos, policiais, profissionais de informática, metalúrgicos, alfaiates, por exemplo), jovens, grupos marginalizados e outros. São as gírias e jargões.

Assim, além do português padrão, há outras variedades de usos da língua cujos traços mais comuns podem ser evidenciados abaixo:

Uso de “r” pelo “l” em final de sílaba e nos grupos consonantais: pranta/planta; broco/bloco.
Alternância de “lh” e “i”: muié/mulher; véio/velho.
Tendência a tornar paroxítonas as palavras proparoxítonas: arve/árvore; figo/fígado.
Redução dos ditongos: caxa/caixa; pexe/peixe.
Simplificação da concordância: as menina/as meninas.
Ausência de concordância verbal quando o sujeito vem depois do verbo: “Chegou” duas moças.
Uso do pronome pessoal tônico em função de objeto (e não só de sujeito): Nós pegamos “ele” na hora.
Assimilação do “ndo” em “no”( falano/falando) ou do “mb” em “m” (tamém/também).
Desnasalização das vogais postônicas: home/homem.
Redução do “e” ou “o” átonos: ovu/ovo; bebi/bebe.
Redução do “r” do infinitivo ou de substantivos em “or”: amá/amar; amô/amor.
Simplificação da conjugação verbal: eu amo, você ama, nós ama, eles ama.

Variações regionais: os sotaques
Se você fizer um levantamento dos nomes que as pessoas usam para a palavra "diabo", talvez se surpreenda. Muita gente não gosta de falar tal palavra, pois acreditam que há o perigo de evocá-lo, isto é, de que o demônio apareça. Alguns desses nomes aparecem em o "Grande Sertão: Veredas", Guimarães Rosa, que traz uma linguagem muito característica do sertão centro-oeste do Brasil:

Demo, Demônio, Que-Diga, Capiroto, Satanazim, Diabo, Cujo, Tinhoso, Maligno, Tal, Arrenegado, Cão, Cramunhão, O Indivíduo, O Galhardo, O pé-de-pato, O Sujo, O Homem, O Tisnado, O Coxo, O Temba, O Azarape, O Coisa-ruim, O Mafarro, O Pé-preto, O Canho, O Duba-dubá, O Rapaz, O Tristonho, O Não-sei-que-diga, O Que-nunca-se-ri, O sem gracejos, Pai do Mal, Terdeiro, Quem que não existe, O Solto-Ele, O Ele, Carfano, Rabudo.

Drummond de Andrade, grande escritor brasileiro, que elabora seu texto a partir de uma variação linguística relacionada ao vocabulário usado em uma determinada época no Brasil.

Antigamente
"Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas mimosas e muito prendadas. Não faziam anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio."

Como escreveríamos o texto acima em um português de hoje, do século 21? Toda língua muda com o tempo. Basta lembrarmos que do latim, já transformado, veio o português, que, por sua vez, hoje é muito diferente daquele que era usado na época medieval.

Língua e status
Nem todas as variações linguísticas têm o mesmo prestígio social no Brasil. Basta lembrar de algumas variações usadas por pessoas de determinadas classes sociais ou regiões, para percebers que há preconceito em relação a elas.

Veja este texto de Patativa do Assaré, um grande poeta popular nordestino, que fala do assunto:

O Poeta da Roça
Sou fio das mata, canto da mão grossa,
Trabáio na roça, de inverno e de estio.
A minha chupana é tapada de barro,
Só fumo cigarro de paia de mío.

Sou poeta das brenha, não faço o papé
De argun menestré, ou errante cantô
Que veve vagando, com sua viola,
Cantando, pachola, à percura de amô.
Não tenho sabença, pois nunca estudei,
Apenas eu sei o meu nome assiná.
Meu pai, coitadinho! Vivia sem cobre,
E o fio do pobre não pode estudá.

Meu verso rastero, singelo e sem graça,
Não entra na praça, no rico salão,
Meu verso só entra no campo e na roça
Nas pobre paioça, da serra ao sertão.
(...)

Você acredita que a forma de falar e de escrever comprometeu a emoção transmitida por essa poesia? Patativa do Assaré era analfabeto (sua filha é quem escrevia o que ele ditava), mas sua obra atravessou o oceano e se tornou conhecida mesmo na Europa.

Leia agora, um poema de um intelectual e poeta brasileiro, Oswald de Andrade, que, já em 1922, enfatizou a busca por uma "língua brasileira".

Vício na fala
Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados.

Uma certa tradição cultural nega a existência de determinadas variedades linguísticas dentro do país, o que acaba por rejeitar algumas manifestações linguísticas por considerá-las deficiências do usuário. Nesse sentido, vários mitos são construídos, a partir do preconceito linguístico.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Como encontrar um Substantivo?

É de fundamental importância reconhecermos a natureza morfológica das palavras, para entendermos quais funções sintáticas elas poderão assumir numa frase. Ilustrando tal afirmação, observe o seguinte enunciado:

A lua brilhava intensamente naquela noite fria de inverno.

Se partirmos para a análise morfossintática dessa oração, perceberemos que tudo está ligado. E a melhor maneira de encontrarmos os elementos morfológicos essenciais, que determinarão a função sintática de cada termo da frase (e encontrar o substantivo é essencial para a análise), é relacioná-los com os elementos da própria frase. Vejamos:

Se quisermos descobrir qual a natureza morfológica da palavra lua, basta observarmos qual palavra a antecede ou poderia antecedê-la. Nesse caso, é o artigo "A", que desempenha o papel de determinante da palavra "lua". Logo, a palavra lua é um substantivo.

Em Português, só é substantivo, a palavra que se deixa anteceder por determinantes.

Até onde sabemos, nenhum falante da língua portuguesa diria: Lua a brilhava... ou seja, nenhum falante colocaria o artigo a depois do substantivo lua.

Todavia, alguém poderia se perguntar: e o que são determinantes? Como o próprio nome já diz, determinantes são palavras, fáceis de se memorizar, que identificam a referência de um substantivo por meio da situação espaço-temporal ou para delimitar seu número.

É por isso que reconhecemos como determinantes simples a classe fechada dos artigos, tanto os definidos, quanto os indefinidos (a, o, as, os, um, uma, uns, umas), os pronomes possessivos (meu, minha, teu, tua, nosso, vosso, dele, dela, seu, sua), os pronomes demonstrativos (esse, essa, aquele, aquela, aquilo etc), e os numerais cardinais e ordinais (um, dois, três etc) (primeiro, segundo, terceiro etc).

Por este critério, para termos certeza de que a palavra lua morfologicamente é um substantivo, bastaria fazermos a permuta por outros determinantes, dentre os que vimos acima:

Reprodução

Recapitulando teríamos: todo substantivo deixa-se anteceder por determinantes.

Referência bibliográfica

SAUTCHUK, Inez. "Prática de Morfossintaxe: como e por que aprender análise (morfo)sintática". Barueri, São Paulo, Manole, 2004.

Etimologia de "Futebol"

O futebol, no mundo moderno, substitui as rudes competições dos cavaleiros medievais. Este esporte, nascido na Inglaterra do século XIX e difundido no mundo inteiro, tomou seu nome das palavras inglesas foot= pé e ball= bola, dois vocábulos cujas origens podem ser rastreadas desde muito longe.

Foot  provém das raizes pod- e ped-, das línguas pré-históricas indoeuropéias, que também deram lugar ao vocábulo grego pous= pé, do qual procedem palavras como trípode, pódio e antípoda.

Provém também dessas raízes a voz sânscrita padas= pé, e a lituana pedà= passo. Para a nossa língua, a derivação mais importante resultou do latim pedes= pé, que deu lugar a incontáveis palavras, tais como pedicure, peão, pedal, velocípede.

Ball, por sua vez, chega do grego ballein, que significava arrojar, arremessar.

A palavra futebol foi inicialmente recusada pelos puristas, que a consideravam um anglicismo, pelo que intentaram sem sucesso impor ludopédio, formada pelas palavras latina ludus=jogo, e grega podos= pé.

Etimologia de "Hipócrita"

Com frequência, ouvimos dizer fulano é um artista, não como elogio aos dotes histriônicos dessa pessoa, mas para assinalar que é um fingidor, um hipócrita. A hipocrisia é uma arte.
Etimológicamente: a palavra se deriva do grego hypokrisía (hypokrisis, em grego classico) que era, precisamente, a arte de desempenhar um papel teatral.
Para Suetônio, um hypocrites não é apenas aquele que imita outro personagem na comédia, um comediante, mas também, um histrião e até um bobo.
Nos escritores cristãos da Idade Média, cristalizou-se o sentido de falsidade da interpretação teatral do hipócrita, que se converte em alguém que finge sentimentos opostos aos que realmente experimenta, com o objetivo de enganar a alguém.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Ambiguidade

A ambiguidade é um dos problemas que podem ser evitados na redação. Ela surge quando algo que está sendo dito admite mais de um sentido, comprometendo a compreensão do conteúdo. Isso pode suscitar dúvidas no leitor e levá-lo a conclusões equivocadas na interpretação do texto.
A inadequação ou a má colocação de elementos como pronomes, adjuntos adverbiais, expressões e até mesmo enunciados inteiros podem acarretar em duplo sentido, comprometendo a clareza do texto. 
Exemplos:
  • "O professor falou com o aluno parado na sala"
    Neste caso, a ambiguidade decorre da má construção sintática deste enunciado. Quem estava parado na sala? O aluno ou o professor? A solução é, mais uma vez, colocar "parado na sala" logo ao lado do termo a que se refere: "Parado na sala, o professor falou com o aluno"; ou "O professor falou com o aluno, que estava parado na sala".

  • "A polícia cercou o ladrão do banco na rua Santos."
    O banco ficava na rua Santos, ou a polícia cercou o ladrão nessa rua? A ambiguidade resulta da má colocação do adjunto adverbial. Para evitar isso, coloque "na rua Santos" mais perto do núcleo de sentido a que se refere: Na rua Santos, a polícia cercou o ladrão; ou A polícia cercou o ladrão do banco que localiza-se na rua Santos"

  • "Pessoas que consomem bebidas alcoólicas com frequência apresentam sintomas de irritabilidade e depressão."

    Mais uma vez a duplicidade de sentido é provocada pela má colocação do adjunto adverbial. Assim, pode-se entender que "As pessoas que, com frequência, consomem bebidas alcoólicas apresentam sintomas de irritabilidade e depressão" ou que "As pessoas que consomem bebidas alcoólicas apresentam, com frequência, sintomas de irritabilidade e depressão".

    Uma das estratégias para evitar esses problemas é revisar os textos. Uma redação de boa qualidade depende muito do domínio dos mecanismos de construção da textualidade e da capacidade de se colocar na posição do leitor.

     

    Ambiguidade como recurso estilístico

    Em certos casos, a ambiguidade pode se transformar num importante recurso estilístico na construção do sentido do texto. O apelo a esse recurso pode ser fundamental para provocar o efeito polissêmico do texto. Os textos literários, de maneira geral (como romances, poemas ou crônicas), são textos com predomínio da linguagem conotativa (figurada). Nesse caso, o caráter metafórico pode derivar do emprego deliberado da ambiguidade.

    Podemos verificar a presença da ambiguidade como recurso literário analisando a letra da canção "Jack Soul Brasileiro", do compositor Lenine.

    Já que sou brasileiro
    E que o som do pandeiro é certeiro e tem direção
    Já que subi nesse ringue
    E o país do suingue é o país da contradição
    Eu canto pro rei da levada
    Na lei da embolada, na língua da percussão
    A dança, a muganga, o dengo
    A ginga do mamulengo
    O charme dessa nação
    (...)

    Podemos observar que o primeiro verso ("Já que sou brasileiro") permite até três interpretações diferentes. A primeira delas corresponde ao sentido literal do texto, em que o poeta afirma-se como brasileiro de fato. A segunda interpretação permite pensar em uma referência ao cantor e compositor Jackson do Pandeiro - o "Zé Jack" -, um dos maiores ritmistas de todos os tempos, considerado um ícone da história da música popular brasileira, de quem Lenine se diz seguidor. A terceira leitura para esse verso seria a referência à "soul music" norte-americana, que teve grande influência na música brasileira a partir da década de 1960.

     

    O recurso à ambiguidade no texto publicitário

    Na publicidade, é possível observar o "uso e o abuso" da linguagem plurissignificante, por meio dos trocadilhos e jogos de palavras. Esse procedimento visa chamar a atenção do interlocutor para a mensagem. Para entender melhor, vamos analisar a seguir um anúncio publicitário, veiculado por várias revistas importantes.

    Sempre presente
    Ferracini Calçados

    O slogan "Sempre presente" pode apresentar, de início, duas leituras possíveis: o calçado Ferracini é sempre uma boa opção para presentear alguém; ou, ainda, o calçado Ferracini está sempre presente em qualquer ocasião, já que, supõe-se, pode ser usado no dia a dia ou em uma ocasião especial.

    Se você não se julga ainda preparado para uma utilização estilística da ambiguidade, prefira uma linguagem mais objetiva. Procure empregar vocábulos ou expressões que sejam mais adequadas às finalidades do seu texto.

  • sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

    Palíndromos e Tautologia

    Um Palíndromo é uma palavra ou um número que se lê da mesma maneira nos dois sentidos: esquerda para a direita e vice-versa.
    Exs.: OVO, OSSO, RADAR. 


    O mesmo se aplica às frases, embora a coincidência seja tanto mais difícil de conseguir quanto maior a frase; é o caso do conhecido:
    SOCORRAM-ME, SUBI NO ONIBUS EM MARROCOS.
    ANOTARAM A DATA DA MARATONA

    ASSIM A AIA IA A MISSA

    A DIVA EM ARGEL ALEGRA-ME A VIDA

    A DROGA DA GORDA

    A MALA NADA NA LAMA


    A TORRE DA DERROTA

    LUZA ROCELINA, A NAMORADA DO MANUEL, LEU NA MODA DA ROMANA: ANIL É COR AZUL

    O CÉU SUECO

    O GALO AMA O LAGO

    O LOBO AMA O BOLO

    O ROMANO ACATA AMORES A DAMAS AMADAS E ROMA ATACA O NAMORO

    RIR, O BREVE VERBO RIR

    A CARA RAJADA DA JARARACA

    SAIRAM O TIO E OITO MARIAS


    ZÉ DE LIMA RUA LAURA MIL E DE


    E você sabe o que é tautologia?
    É o termo usado para definir vícios e erros mais comuns de linguagem. Consiste na repetição de uma ideia, de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido.
    O exemplo clássico é o famoso 'subir para cima' ou o 'descer para baixo'.

    Há outros, observe:
    - ambos os dois
    - elo
    de ligação
    - acabamento final
    - certeza absoluta
    - quantia exata
    - nos dias 8, 9 e 10, inclusive
    - juntamente com
    - em duas metades iguais
    - sintomas indicativos
    - há anos atrás
    - vereador da cidade
    - outra alternativa
    - detalhes
    minuciosos
    - a razão é porque
    - anexo junto à carta
    - de sua
    livre escolha
    - superávit
    positivo
    - todos foram unânimes
    - conviver
    junto
    - fato real
    - encarar de frente
    - multidão de pessoas
    - amanhecer o dia
    - criação nova
    - retornar de novo
    - empréstimo temporário
    - surpresa inesperada
    - escolha opcional
    - planejar antecipadamente
    - abertura
    inaugural
    - continua a permanecer
    - a
    última versão definitiva
    -
    possivelmente poderá ocorrer
    - comparecer
    em pessoa
    - gritar
    bem alto
    - propriedade característica
    - demasiadamente excessivo
    - a seu critério
    pessoal
    - exceder em muito. 


    Todas essas repetições são dispensáveis.

    quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

    Você sabe usar o LHE ?

    A dúvida sobre o uso do lhe é de ordem regencial. Há muitas dúvidas quanto a correta regência verbal. Os verbos são transitivos diretos, indiretos ou intransitivos? Exigem preposição ou não? Possuem objetos diretos ou indiretos?
    Vejamos:
    - O verbo intransitivo não exige complemento, então dizemos que possui sentido completo.
    Ex.: O menino nasceu.

    - O verbo transitivo exige complemento e é dividido em: transitivo direto e indireto.

    Transitivo indireto: quando o complemento do verbo vem antecedido por preposição:

    Nós precisamos de carinho. (de carinho = objeto indireto)
    Transitivo direto: quando o complemento não exige preposição:
    Nós buscamos amor e carinho. (amor e carinho = objeto direto)

    O pronome oblíquo lhe é substituto dos objetos indiretos, ou seja, dos complementos que possuem preposição. Enquanto os pronomes o, a, os, as e variações como lo, la, los, las são dos objetos diretos.

    Assim, a expressão cumprimentar-lhe está errada, pois o verbo cumprimentar é transitivo direto, ou seja, exige complemento, porém sem preposição.

    a) Quero cumprimentar meu pai pelo esforço. Quero cumprimentá-lo pelo esforço.

    Agora, observe uma oração na qual o verbo exige um complemento com preposição:

    a) Respondeu ao  chefe prontamente. Respondeu-lhe prontamente.

    Em caso de dúvida é necessário a observação do verbo, pois é ele quem diz se é necessário o uso ou não de preposição.

    Vejamos mais um exemplo: Vou convidar a minha melhor amiga para a festa.

    Qual o correto: Vou convidar-lhe para a festa ou Vou convidá-la para a festa?

    O verbo convidar é transitivo direto, ou seja, exige complemento. Contudo, este complemento é ou não precedido de preposição? Não. Quem convida, convida alguém e não de alguém, por alguém, etc. Logo, a correta é a segunda oração.

    Convido-os para ler atentamente às explicações supracitadas!

    terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

    Acentuação das Paroxítonas

    Jovens: Estudem estes itens. Não fiquem nas nuvens curtindo paisagens...

    As palavas paroxítonas (cujo acento é na penúltima sílaba) têm uma série de regras de acentuação, não é mesmo? Porém, acontece um fato curioso que, às vezes, nem nos atentamos, que é a perda do acento de algumas delas, quando escritas no plural. 
    O acordo ortográfico define que as palavras paroxítonas terminadas em “L”, “R”, e “X” são acentuadas. Como exemplo temos: amável, dócil, açúcar, éter, córtex, tórax.
    Entre as palavras acentuadas no singular e perdem o acento quando no plural, estão as terminadas em "N”. Exemplos: alúmen, hífen, hímen, líquen, pólen. 
    Plural:       alumens, hifens, himens, liquens e polens.

    Em função disso, as paroxítonas terminadas em "ENS" não devem ser acentuadas. São os plurais de palavras como "item" “homem”, “jovem”, “nuvem”, polem, semem que não recebem acento nem no singular, nem no plural.

    (Como já mencioneu, o mesmo acontece com alumens, hifens, himens, liquens e polens, ou seja, todas sem acento).

    No entanto, existem formas paralelas para algumas, como podemos observar em:
    Alúmen ou alume
    Alumes ou alúmenes. (Aqui não se trata de uma paroxítona e sim de uma proparoxítona).
    Hímen, himens ou hímenes
    Líquen, liquens ou líquenes


    Para entender isso, o mais fácil é lembrar outra regra, a das oxítonas (palavras cuja sílaba tônica é a última). As oxítonas terminadas em "-em" e "-ens" são acentuadas - é por isso que acentuamos palavras como "alguém", "ninguém", "vintém", "parabéns", "manténs" etc.

    Se as oxítonas terminadas em "-em" e "-ens" têm acento, as paroxítonas com idêntica terminação não o têm. O sistema de acentuação baseia-se no princípio da oposição.

    Pode parecer até surpreendente, mas quando se trata da linguagem formal, sabemos que a mesma pauta-se pelas normas gramaticais. Portanto, não nos cabe outro recurso senão segui-las.

    "Era um morto desconhecido, tendo por roupa só as algas, os liquens e as coisas verdes do mar." (Rubem Alves)

    Emprego dos Porquês

    Por que
    O por que tem dois empregos diferenciados:

    Quando for a junção da preposição por + pronome interrogativo ou indefinido que, possuirá o significado de “por qual razão” ou “por qual motivo”:

    Exemplos: Por que você não vai ao cinema? (por qual razão)
                     Não sei por que não quero ir. (por qual motivo)


    Quando for a junção da preposição por + pronome relativo que, possuirá o significado de “pelo qual” e poderá ter as flexões: pela qual, pelos quais, pelas quais.

    Exemplo: Sei bem por que motivo permaneci neste lugar. (pelo qual)


    Por quê
    Quando vier antes de um ponto, seja final, interrogativo, exclamação, o por quê deverá vir acentuado e continuará com o significado de “por qual motivo”, “por qual razão”.

    Exemplos: Vocês não comeram tudo? Por quê?
                     
    Andar cinco quilômetros, por quê? Vamos de carro.


    Porque
    É conjunção causal ou explicativa, com valor aproximado de “pois”, “uma vez que”, “para que”.

    Exemplos: Não fui ao cinema porque  tenho que estudar para a prova. (pois)
                     Não vá fazer intrigas porque prejudicará você mesmo. (uma vez que)


    Porquê
    É substantivo e tem significado de “o motivo”, “a razão”. Vem acompanhado de artigo, pronome, adjetivo ou numeral.

    Exemplos: O porquê de não estar conversando é porque quero estar concentrada.(motivo)
                     Diga-me um porquê para não fazer o que devo. (uma razão).

    segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

    Etimologia de "Energúmeno"

    A palavra grega ergon significava obra, trabalho, coisa feita. Daí formou-se também em grego, inicialmente, organon, algo que serve para cumprir algumas tarefas. Da mesma forma, ergon com a anteposição da partícula en forma energeia, energia, força interna viva e atuante. 
    Ergon aparece também em palavras mais recentes, como ergonomia, que se refere às regras que se empregam para administrar melhor a energia humana no manejo de uma máquina.
    Er.go.no.mi.a - sf.
      1  Estudo das relações entre o homem e a máquina, visando melhorar as condições de trabalho e o consequente aumento da produtividade.
     [F.: erg(o)- + -nomia.]
    A mesma raiz  ergon aplicada a um particípio, energoumenos, significava, em grego, algo trabalhado internamente e, consequentemente, alguém que mostra um entusiasmo descontrolado, como possuído pelo demônio, e que, eventualmente, se comporta com violência. A forma passiva dá à raiz a denotação de que  trata-se de uma energia que existe dentro do próprio sujeito, mas cuja causa está na realidade fora dele, como parece ocorrer com os energúmenos.

    Nova Ortografia - Principais Alterações


     Alfabeto: O alfabeto brasileiro já tem 26 letras. Foram incluídas k, w e y, usadas em casos especiais, como em siglas e palavras originárias de outras línguas. Exs.: Franklin, frankliano; Darwin, darwinismo; Kuwait, kuwaitiano; Kant, kantismo. Km (para quilômetro), kg (para quilograma), kW, (para kilowatt), W (para oeste - West).

    Trema: O trema foi abolido de todas as palavras da língua portuguesa. Conserva-se, no entanto, em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros: hübneriano, de Hübner; mülleriano, de Müller; etc. Exs.: Bilíngue (ou bilingue), linguista, cinquenta, equino, linguístico, tranquilo, pinguim.

    Acento Diferencial: Deixa de existir para diferenciar duas palavras de significado diferente, mas escritas da mesma forma.
    Para (verbo), que se diferenciava da preposição para;
    Pelo (substantivo), que se diferenciava da preposição pelo;
    Polo (substantivo), que se diferenciava da preposição polo;
    Pera (substantivo), que se diferenciava da preposição pera.
    Há as seguintes exceções:
    Pôde (verbo poder no passado) conserva o acento para se distinguir de pode (verbo poder no presente);
    Pôr (verbo) conserva o acento para se distinguir de por (preposição).

    Uso facultativo nos casos:
    Dêmos (do verbo no subjuntivo que nós dêmos) para se diferenciar de demos (do passado nós demos);
    Fôrma (substantivo) para se diferenciar de forma (verbo).

    Ditongo Aberto: O acento agudo foi eliminado nos ditongos abertos das palavras paroxítonas, como alcaloide, assembleia, boleia, epopeia, ideia, jiboia, paleozoico, paranoia, onomatopeia.
    As palavras oxítonas terminadas em éi, éu e ói continuam acentuadas: chapéu, herói, corrói, remói, céu, véu, lençóis, anéis, fiéis, papéis, Ilhéus.

    Hiato: Foram eliminados os acentos circunflexos nos hiatos dos seguintes casos:
    oo – enjoo, perdoo, magoo, voo, abençoo;
    ee – creem, deem, leem, releem, veem, preveem
    O acento circunflexo continua valendo para sinalizar o plural dos verbos ter e vir e seus derivados: eles têm, eles vêm, eles retêm, eles intervêm.

    U tônico: A letra u não será mais acentuada nas sílabas que, qui, gue, gui dos verbos como arguir, redarguir, apaziguar, averiguar, obliquar. Assim, temos apazigue (em vez de apazigúe), argui (em vez de ele argúi), averigue, oblique. Pode-se também acentuar desta forma esses verbos: ele apazígue, averígue, oblíque.

    I e U tônicos: As palavras paroxítonas que têm i ou u tônicos precedidos por ditongos não serão mais acentuadas. Desta forma, escreve-se feiura, baiuca, boiuno, cauila. Essa regra não vale quando se trata de palavras oxítonas; nesses casos, o acento permanece. Assim, continua correto Piauí, teiús, tuiuiú.
    Escreve-se com i, e não com e, antes da sílaba tônica: Adjetivos e substantivos derivados em que entram os sufixos -iano e -iense. Exs.: acriano (do Acre), camoniano (referente a Camões), torriense (de Torres), açoriano (dos Açores), rosiano (relativo a Guimarães Rosa).

    Uso do Hífen:
    I – Usa-se:
    1- Com prefixos, usa-se sempre o hífen diante de palavra iniciada por h. Exemplos: anti-higiênico, anti-histórico, co-herdeiro, mini-hotel, bem-humorado, mal-humorado, sobre-humano, super-homem.
    2- Quando o prefixo termina por vogal, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma vogal. Exemplos: anti-ibérico, auto-observação, contra-ataque.
    3- Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r: sub-região, sub-raça etc.
    4- Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m, n e vogal: circum-navegação, pan-americano etc.
    5- Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se sempre o hífen. Exemplos: além-túmulo, aquém-mar, ex-aluno, pró-europeu, pré-vestibular, recém-nascido, sem-terra.
    6- Deve-se usar o hífen com os sufixos de origem tupi-guarani: açu, guaçu e mirim. Exs.: amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu.
    7- Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares. Exs.: ponte Rio-Niterói, eixo Rio-São Paulo.
    8- Com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen. Exs.: vice-rei, vice-almirante etc.
    9- Quando o prefixo termina por consoante, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma consoante. Exs.: inter-regional, sub-bibliotecário, super-racista.
    Atenção: Nos demais casos não se usa o hífen. Exs.: hipermercado, intermunicipal, superinteressante, superproteção.

    II- Não se usa o hífen:
    1- Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal diferente da vogal com que se inicia o segundo elemento. Exemplos: aeroespacial, agroindustrial, anteontem, antiaéreo, coautor, plurianual, semiaberto.
    Exceção: o prefixo co aglutina-se em geral com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia por o: coobrigar, coobrigação, coordenar, cooperar, cooperação, cooptar, coocupante etc.
    2- Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por consoante diferente de r ou s. Exs.: anteprojeto, autoproteção, coprodução, geopolítica, microcomputador, pseudoprofessor, semicírculo, ultramoderno.
    3- Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s. Nesse caso, duplicam-se essas letras. Exs.: antirrugas, antissocial, biorritmo, contrarregra, contrassenso, cosseno, infrassom, microssistema, minissaia, multissecular, neorrealismo, neossimbolista.
    4- Quando o prefixo termina por consoante, não se usa o hífen se o segundo elemento começar por vogal. Exs.: hiperativo, interescolar, superamigo, superaquecimento.
    5- Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição. Exs.: girassol, madressilva, mandachuva, paraquedas, pontapé.

    Atenção: Para clareza gráfica, se no final da linha a partição de uma palavra ou combinação de palavras coincidir com o hífen, ele deve ser repetido na linha seguinte. Exs.:
    Na cidade, conta-
    -se que ele foi viajar.
    O diretor recebeu os ex-
    -alunos.

    sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

    Etimologia de "Manequim"

    Nos últimos anos, tornou-se mais comum o nome de Modelo para a profissão de homens e mulheres que desfilam mostrando novos desenhos de roupa, porém durante muito tempo empregou-se a palavra Manequim, hoje reservada mais para os bonecos usados para expor a roupa da moda nas vitrines das lojas.

    Esta palavra originou-se no neerlandês manneken, diminutivo de man, homem, e foi usada, no princípio, para denominar os bonecos de madeira que os pintores e escultores usavam como modelos, até que o empresário francês Charles Fréderic Worh (1825 – 1895), proprietário da casa de alta costura Worth, decidiu em 1858, utilizar aqueles bonecos para mostrar seus modelos à clientela, onde o nome original holandês foi adaptado para mannequin.
    Worth, como outros empresários do seu ramo, não tardou em perceber que esta função seria muito melhor cumprida com manequins vivos e inaugurou assim uma profissão que, inicialmente, levou o nome do boneco holandês e que chegou ao Português como manequim.

    Mãe Querida,

    Há quase três anos, 30 de abril de 2017, vivenciamos juntas a triste partida do seu grande e inseparável companheiro, meu amado pai. Aos pr...