Pai, você se foi. Partiu silenciosamente no mais profundo sono que alguém pode ter. Tenho vivido dias cinzentos e noites escuras. E por mais que eu me esforce, por mais que eu busque vocábulos apropriados para homenageá-lo, permaneço emudecida e desnorteada. Insisto em demonstrar todo o meu sentimento em palavras, mas a tua grandeza nega-me o vocabulário apropriado, capaz de expressar a profundidade da minha dor.
Pai, você é TUDO de um TUDO que eu não soube dizer.
Todo o meu carinho. Todo o meu amor.
Zilda Carloni
Ainda bem que o seu neto mais velho, aprendeu a fotografar e revelar todos os tipos de sentimentos... e fala por mim.
"[JUSTIÇA INJUSTA]
Justo a mim, cheio de defeitos, coube-me o privilégio desmedido de ser neto de um homem como meu avô.
Justo a mim, incrédulo convicto, coube-me a pecha de receber numerosos consolos de cunho religioso.
Justo a mim, tão displicente, coube-me a culpa de não tê-lo visitado recentemente.
Justo a mim, que tem plano pra tudo, coube-me a revolta de não ter planejado este dia.
Justo a mim, tão ligado à família e amigos, coube-me o peso de não haver me despedido de figura TÃO importante.
Justo a mim, tão "durão", coube-me enfrentar tanta lágrima (própria).
Justo a mim, tão conectado com as palavras, coube-me o dissabor de não tê-las usado enquanto ele ainda as podia ouvir.
Justo a mim, tão avesso a velórios, coube-me a desgraça de ter que encarar o dele.
Justo a mim, que já tinha o feriado egoistamente planejado, coube-me ter que revirar tudo em cinco minutos e partir para nosso último e triste encontro.
Justo a mim, que sempre ri da sua filosofia dos "seis amigos", coube-me, chorando, a sexta (e apertada) alça do seu caixão.
Justo a mim.
Justo a mim, pelo lado oposto deste prisma - agora - maldito, couberam-me incontáveis tesouros durante nossa convivência de quase quarenta anos.
A mim me cabe então agradecer (agora, só em pensamento...) por cada dedo de prosa, por cada exemplo, por cada sorriso, por cada piada, por cada conto repetido (que ele sabia que já havia contado), por cada presente, por cada presença, por cada noite de pagem, por cada ajuda, por cada sopinha de pão, por cada palavra quando vivi fora, por cada "fica com deus", por cada "tudo de bom pro ceis tudo", por cada "eles que se fodam", por cada "quando que ceis vem?", por cada "tissurim", "cutis cus cuti" ou "bosta na caneca", por cada "ceis deixa eu quieto!", por cada funcionário que o senhor preparou, por cada ensinamento de humanidade, por cada ser humano que o senhor ajudou, por cada elogio ao Silvio Santos, por cada crítica (correta) ao "futebor", por cada pedaço de lixo que o senhor transformou em algo útil, por cada planta que o senhor cultivou, por cada animal que o senhor criou, por cada demonstração de destreza no uso de ferramentas, por cada doação, por cada dica ao volante, por cada relógio acertado com o 102, por cada burro amansado e cavalo domado, por cada gesto humilde, por cada vez que o senhor ouviu desaforos sem rebater, por cada exemplo (de novo, são muitos...), por cada abraço, por cada beijo molhado vindo daqueles beiços propositadamente projetados à diante, por cada tijolo da Catedral mais linda do país, por cada gesto de carinho com as minhas filhas - suas bisnetas, por cada colo oferecido, por cada pose pra foto, por ter batizado a Giulia, por cada passo na direção certa e - não que a lista pudesse terminar - por cada minuto de dedicação, amor, carinho, apoio e respeito à minha avó, a quem caberá o maior vazio deste universo, após quase setenta anos juntos.
Justo a mim, que não sei dizer para onde estarás indo, avô querido, cabe-me o dever de enxugar as lágrimas e continuar seguindo teus brilhantes passos.
Ainda que "tardio", eu te amo. Teu modelo está impregnado em mim para sempre.
Ah, se der, vô, desculpe-me novamente por aquela costela trincada! Foi sem querer, apertei de saudade. :(
Disseram-me que os avós não morrem, mas que eles apenas se escondem. Se for verdade, farei de tua tarefa (a da auto-ocultação) um "inferno".
[no dia desta foto ele completava 88 anos (fev/16) - estava feliz com a casa cheia - e me dava outra lição de moral. Aprendeu o que era uma selfie, demos risada, mas não perdeu a oportunidade de dizer que meu pescoço estava parecendo um tronco de mandioca, de tão largo...]"
Guilherme Carloni 30/04/2017
Esse blog é destinado aos interessados em Língua Portuguesa, cultura, leitura e educação que queiram, livre e criativamente, consultar, debater e apresentar suas ideias. Sejam todos muito bem-vindos! Vamos aprender juntos?
sexta-feira, 5 de maio de 2017
sábado, 25 de fevereiro de 2017
Feliz 89, Pai!
Feliz 89, Pai!
Que o sol brilhante de todos os dias, esteja muito mais intenso hoje, para alegrar o seu semblante;
Que o seu sorriso irradie toda a paz e serenidade que lhe desejo;
Que não lhe faltem homenagens e mesmo sendo infinitas, serão sempre poucas para um homem que merece todas as honras.
Nossa história é longa e eu jamais poderia lhe prestar uma homenagem à altura. Hoje completamos 59 anos de amor. É a data especial em que comemoramos o nosso aniversário e a renovação da fase que queremos (e teremos) muitas alegrias.
Pai, obrigada por todos os conselhos e cuidados ao longo da minha vida. Falar do seu caráter imutável e sua dignidade sempre me emociona muito, pois você é o homem de quem mais me orgulho e os seus exemplos estão tatuados em mim. Sou filha de incontáveis bons exemplos e indescritível generosidade.
Esse ano não pude estar com você, mas não existe distância que não possa ser alcançada pelo amor. Estamos juntos na gratidão a Deus pela boa vida que temos, e eu, pelo privilégio inexplicável de tê-lo como PAI.
Desejo que esta data nos traga, a cada ano, mais saúde, amor, fé, esperança, prosperidade e sabedoria. Estarei sempre ao seu lado para sorrir, comemorar, chorar e te acalmar, incondicionalmente.
Parabéns para nós.
Você sempre foi, é, e será o meu maior e melhor presente.
Com todo amor, meu abraço do tamanho do mundo.
Buon compleanno Papà, vi auguro tanta felicità e molti anni di vita.
Tanti baci
quarta-feira, 16 de março de 2016
X-TUDO
Longe, mas muito longe, de querer escrever algo que seja
definitivo ou convincente e arrebatador, arrisco-me em meio a tantos cientistas
políticos, jornalistas, historiadores, gente com bastante experiência
sócio-política, antropólogos, etc., sem qualquer pretensão mais específica ou
procuração de ninguém, a discorrer sobre os principais pensamentos que habitam
minha cabeça durante os últimos dias; influenciado, sobretudo, pelas
manifestações do último Domingo, onde estive. Considere-se que momentos de
grande comoção tendem a gerar reflexões, textos e conclusões demasiadamente maculados
pela emoção. Não que tal viés seja errado ou reprovável, mas é um risco que
precisa ser conhecido e, se possível, controlado.
Era Domingo, 13 de março de 2016, quando o Brasil se viu
diante da maior manifestação pública e de cunho político de sua história. A
mobilização popular começou cerca de 40 ou 50 dias antes, talvez um pouco menos.
Foi tomando corpo, principalmente, através das redes sociais e ganhou muita
força à medida que alguns fatos foram se sedimentando na operação Lava Jato, especialmente
em suas últimas duas semanas. Dois ou três destes episódios, sugerem-se,
tiveram papel bastante relevante: a publicação da delação do ex-senador petista
e ex-líder do PT no governo, Sr. Delcidio Amaral (atualmente preso), na qual
Lula, Aecio Neves e outras figuras públicas foram acusadas de receber ilicitamente
dinheiro e/ou bens de empreiteiras, o depoimento do ex-presidente Lula à Polícia
Federal (em 04/março), quando fora interrogado sobre o já famoso apartamento de
três andares do Guarujá e, finalmente, suas próprias palavras ao sair da PF e
se dirigir à sede do PT em SP, horas depois. Abre parênteses: fala esta (ele
não se deixa interrogar) que misturou emoção, sarcasmo e deboche, voltada a
seus correligionários, em qual as acusações contra ele eram solenemente
ignoradas e substituídas pela oportunidade de se vitimizar, colher aplausos e
tentar inflamar os seus seguidores, incitando-os à luta. Orador mestre que é,
não deixou a chance lhe escapar. Autopropagandeou-se à exaustão. No mesmo dia,
tivemos o vazamento do vídeo da deputada Jandira, que filmou Lula,
inadvertidamente, minutos antes do referido pronunciamento, em conversa
telefônica com a presidente Dilma, dizendo palavras não muito bonitas –
supostamente – referindo-se a promotores e delegados do processo que o acusa. E
mais gente se motivou a participar no dia 13 de março. Fecha parênteses.
Por diferentes motivações – mais diferentes do que eu poderia
tentar imaginar, mesmo com muito esforço –milhões de pessoas decidiram ir às
ruas. Eu, como já disse, fui um deles e, mais adiante, tentarei esclarecer meus
porquês. A temperatura naquele início de tarde na capital paulistana era amena
e, mesmo em época de fortes chuvas, não se viu uma única gota. Não fosse assim,
imagino que a adesão pudesse ter sido muito menor.
Registros divulgados até aqui, dão conta de que houve
passeatas em 240 cidades do país. Dependendo da fonte ou da metodologia de
estimação, o número total de participantes esteve entre 3.0 e 6.5 milhões,
sendo 500mil a 2.0 ou 2.5 milhões – talvez a metade – só na av. Paulista, em
São Paulo. Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Manaus, Porto
Alegre, Curitiba, Goiânia, Florianópolis – entre todas as outras – inteiram a
conta.
Enquanto a organização dos eventos se põe em acordo com a
Polícia e demais instituições sobre o número de pessoas que estiveram presentes
nas marchas, posso dizer que estar na maior e mais numerosa delas foi
revelador. Se, por um lado, minha vontade de gritar apartidariamente pelo
Brasil (e fazer boas fotos!) se fez válida e presente, por outro, fazê-lo ao lado
de alguns grupos, ideologias, cartazes e pessoas específicos, deixou-me, se não
outro, embasbacado. Colocando de maneira clara, não compactuo com tudo que vi.
A minha voz não era a mesma do que “qualquer outra” ali e eu não buscava
exatamente o que “qualquer um” daquela avenida buscava. Eram muitas demandas
misturadas. Tanto que manifestação “da elite” ou “dos coxinhas”, como sugerem
os defensores mais ferrenhos do PT, assemelhava-se muito mais com um x-tudo; sanduíche com vários tipos de recheio
que, no final, não se conformam em um gosto único.
A coerência, por exemplo, não parece ter sido, de novo,
vedete nas tantas ruas coloridas de verde e amarelo. Senão, como explicar a
imensa quantidade de gente ostentando a logo da CBF no peito? Deu vergonha.
E os milicos reformados, discursando em carros de som? Eu
respeito. Eu ouço e até tolero, como cidadão do bem (e curioso) que sou. Mas
uma intervenção militar é, na minha opinião, a última coisa que o país precisa.
Seria a falência de um jovem regime democrático que vem se construindo – como
falhas, diga-se – ao longo das últimas décadas. Imaginem-se, de repente,
vivendo à margem de todas as conquistas de liberdade conseguidas até aqui. Não.
Quem foi, viu de perto, por exemplo, dois medalhões do
principal partido oposicionista serem praticamente enxotados da avenida
Paulista. Geraldo Alckmin e Aecio Neves que, em teoria, deveriam ter sido bem
recebidos e, talvez, até aclamados por sua (fraca) postura de oposição. Foram com
intenção de discursar, mas não conseguiram chegar a um dos caminhões de som. As
pessoas entenderam que a corrupção permeia – arrisco – toda a classe política
nacional e parecem ter reagido unissonamente a tal. E de forma a não deixar
dúvidas: o que estava em jogo ali não tinha legenda, era algo maior.
Quem foi, viu e ouvi as vaias aos discursos dos igualmente
oportunistas Levi Fidelix e Silas Malafaia. Foi ficando, a cada minuto, mais
claro que o fato de ir ou discursar não bastava. Era preciso representar muita
gente e não estar associado a qualquer ideologia menos inclusiva, retrógrada ou
ainda a legendas e preceitos não totalmente democráticos.
Quem foi, viu também que debate racial que tomou conta das
redes sociais logo depois das manifestações, por conta de uma fotografia de um
casal na passeata do Rio de Janeiro, seus dois filhos e a babá (negra), foi uma
grande bobagem. Alegavam que aquela seria a única ou uma das únicas negras no
manifesto e que ela não estivesse ali por vontade própria, na tentativa de
desclassificar a representatividade dos participantes da manifestação. Havia
negros, sim. De forma não intencional, eles estão em muitas das fotos que fiz,
no meio da multidão, ocupando espaço livremente, como qualquer um dos demais
cidadãos. Assim como todos os sexos e opções sexuais estavam representados.
Diversas culturas e religiões – vi uma turma de turbante e uma “legião da
ordem”, em paletó e gravata. Idosos, muitos idosos! Crianças, cães e babás (vi
pouquíssimas). Muitos ciclistas. Tribos das mais diferentes. Tinha gente mais
fervorosa e gente mais calma. Gente que foi para falar sério e gente que foi
para festejar; acontece. Teve muita selfie
e teve selfie com policial. Não gosto
de nenhuma, mas é preciso respeitar! Havia famílias demais, todos juntos em
prol de seu algo. O curioso, mas não tanto, foi notar que todos os comentários
maldosos sobre as etnias das passeatas saíram de gente que não esteve nelas.
São, via de regra, as mesmas pessoas que questionam a credibilidade da mídia.
Vida que segue!
Não seremos um país melhor enquanto não aprendermos a lidar
civilizadamente com o trânsito. Não seremos um país melhor enquanto a vontade
individual guiar as ações coletivas – e não o contrário. Não seremos um país
melhor enquanto houver desrespeito a classes, gêneros, credos e/ou opções
sexuais. Não seremos um país melhor enquanto houver gente furando fila, pagando
propina, clonando cartão, burlando rodízio de placas, roubando sinal de TV e
outros serviços, inventando recibo para imposto de renda, fomentando comércio
de produtos-pirata e/ou fazendo uso de tantas outras traquitanas que, por
vezes, nos (des)classificam em comparações com outros povos. Se há algo que eu
não acho bonito é o tal “jeitinho brasileiro” – sem hipocrisia.
Analogamente, não seremos um país melhor “apenas” por que
milhões de pessoas foram para as ruas em 13/03 ou irão em 18/03 e outras datas,
a favor de qualquer lado que seja. As manifestações – sobretudo as pacíficas,
como têm sido as últimas e torço pelas próximas – são uma bela ilustração da
democracia, mas não credenciam seus participantes a nada e, pelo exposto,
precisam ser entendidas com um pouco mais de detalhes.
Não se sabe o que será do nosso país no futuro próximo, mas
algumas torres parecem abaladas à la Pisa.
Impeachment? Impugnação da chapa eleita?
Renúncia? Prisões? Novas eleições? Assume o Cunha? O Temer?
Na conturbada situação política em que se encontra nosso
Executivo Federal, há vários caminhos de solvência. Cada um, logicamente, com
suas consequências, seus prós, contras e, claro, com maior ou menor
probabilidade de ocorrência. O que parece não ter solução é a falta de autocrítica
e decorrentes medidas corretivas por parte do governo do país. Pelas últimas
declarações, parece que a crise – a eles – nem existe. A tal governabilidade
que não marca presença, desde há uns meses, faz cada dia mais falta. Um
paradoxo para lá de interessante já que este seria, na visão de muitos, um momento
crucial para uma verdadeira reviravolta administrativa. Seria deveras
convincente, entre todos os demais benefícios, se as rédeas do país voltassem a
ser levadas por pulsos firmes. Entretanto, para aprofundar a partir daqui, seria
preciso transcorrer sobre (além da conhecida falta de auto reconhecimento) a
capacidade de liderança e alianças da presidente Dilma, duas pilastras
construídas com areia seca em seu governo.
Respeitando-se as condições normais de temperatura e pressão,
as CNTP, expressão clássica na Física e na Química para, resumidamente, buscar excluir
agentes externos de uma análise, consigo imaginar as seguintes hipóteses de
solução: [a] nada acontece e a presidente Dilma segue seu mandato até 2018 (seja
pela derrota do pedido de impeachment,
seja pela sua simples não votação), [b] o pedido de impeachment é votado “sim” na Câmara e Senado (assumiria o
vice-presidente, Michel Temer), [c] a chapa PT-PMDB é destituída do cargo por impugnação
atribuída a qualquer irregularidade na campanha (aqui, abrem-se duas rotas: se ocorre
ainda em 2016, haveria novas eleições; se, em 2017 ou 2018, o Congresso nomearia
um presidente interino, que governaria até o fim de 2018) ou [d] a presidente
Dilma renuncia ao cargo (assumiria o vice-presidente).
Não há solução ideal, note-se. A menos pior, a meu ver, pareceria
ser a manutenção do governo até o término do seu mandato – buscando-se, ao
máximo, que o governo siga caminho independente dos investigados na operação
Lava Jato e lute veementemente pelas reformas das quais carece tanto a nação. Válido
somente até quando outros membros da administração pública federal forem eventualmente
arrolados nos processos, furando as CNTP.
Qualquer que seja a saída, é certo que ela impactará a
sociedade nos próximos anos. Tal iminência já seria, per se, motivo razoável para incentivar as pessoas a se envolver e tentar
fazer parte da solução. Menos frustração, esperar-se-ia, em seguida. A história
mostra ainda que os momentos mais críticos e de ruptura nas sociedades exigem posicionamentos
claros das pessoas, que elas sejam francas consigo e com os demais, assumindo
um lado pelo bem de todos. Aparentemente, as vésperas da possível votação de um
provável processo de impedimento de nosso governo não deixam margem para a omissão
e a falta de opinião. As pessoas foram, então, às ruas. Motivadas pelo fim da
corrupção, para requerer soluções que nunca chegam, para exigir a prisão do
Lula ou para se posicionar contra a situação (em qualquer aspecto). Há que se
ressalvar, entretanto, que “assumir um lado” não significa, como adoram martelar
os governistas mais fanáticos, agarrar-se e/ou concordar necessariamente com o
outro. O princípio da dualidade não pode ser tão levianamente utilizado. A
polarização da argumentação é reles, é fraca e tem intuito diruptivo, não
construtivo. Assim sendo, se você não é capaz de enxergar as nuances que
existem – e hão de existir! – entre um lado e o outro, num cenário tão complexo
como este, é recomendável que você não entre em uma discussão. A menos que seu
intuito seja brigar.
Eu quero, como você quer e como – suponho – todos os
brasileiros querem, um país melhor. Uma vida mais digna e cheia de
possibilidades isonômicas a todos. Mínima diferença social. Máxima segurança e
distribuição de cultura. Uma Saúde robusta. Mas a minha pequena luta que,
revele-se, é mais interna do que externa, não me permite sequer imaginar
ignorar as conquistas do passado ou a associação dos meus sonhos a fanáticos
religiosos, órgãos, clubes, empresas, etc.; eu não sou “hashtag_nomedojuiz”, embora
reconheça o valor de seu trabalho. Eu não quero ser representado por nenhuma
ideologia religiosa ou qualquer um de seus representantes, seus altos decibéis
e as suas abundantes isenções tributárias. Eu quero distância dos radicais
direitistas (a mesma que quero de seus equivalentes esquerdistas). Eu não
consigo vangloriar a Polícia Federal mesmo concordando que eles estão fazendo
um ótimo trabalho. Eu não acho certo compactuar com um levante emocionado e a
todo e qualquer custo. Mas também não é possível ignorar as investigações que
têm sido feitas. O país carece de justiça. A apuração séria de quem quer que
seja deve seguir sendo o mote principal desta operação Lava Jato e de qualquer
outra que se arme. Doa a quem doer!
Bradamos alto quando o assunto é corrupção – parece que é
questão inabalável: todos contra. Porém, é fundamental que se investigue tudo,
sem qualquer relação com instituições, pessoas, orientações ou partidos. A lei
é uma só e as consequências por desrespeitá-la devem ser aplicadas a todos que
a infringiram, incondicionalmente. Não dá para tolerar um tríplex-brinde, um
enriquecimento de 30 milhões pautado em palestras não comprovadas (suposição
minha), um sítio “emprestado de amigos” ou um cofre cheio de obras de arte, da
mesma forma que não podemos compactuar com os desvios de verba nas obras do
metrô, com a lengalenga mal contada das merendas escolares e/ou com o super
(hiper!) faturamento das ciclovias paulistanas, para citar somente alguns
poucos exemplos recentes. Há que se exigir o mesmíssimo tipo de processo
investigativo, julgamentos e penas a todos os citados nas delações. Sem
exceção!
Apurem-se as evidências e punam-se os responsáveis.
Criminalmente, civilmente e em qualquer outra esfera envolvida. Punam-se todos.
Com respeito e seriedade e não com desespero ou desrespeito, como, por exemplo,
notou-se na atabalhoada, por assim dizer, tentativa de prisão preventiva que o
MP de São Paulo protocolou há uma semana, contra o ex-presidente Lula. Se for
para ser assim, é preferível parar e recombinar as regras. É um caminho sombrio
e amedrontador que nos levaria a perder as referências sobre o que pode e o que
não pode ser feito. Seria abrir mão da coerência em nome de algo bastante menor.
Da mesma forma, como não sou totalitário, considero absolutamente imoral a
tentativa de se “convidar” o ex-presidente Lula a ocupar um ministério como rota
de fuga ao risco de uma eventual condenação pela justiça comum. Não há, pelo
menos até aqui, justificativa (comprovada ou não) para se requerer uma prisão preventiva
do Lula bem como, de tal modo, não existe decência na artimanha da pasta
ministerial. Sejam sérios e povo há de endossá-los. Sejam fracos e inventivos que
povo se dispersa.
GuiCarloni15032016
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Parabéns, meu velho!
Meu Pai, Meu Velho, Meu AMIGÃO: infinito é o seu
coração!
Este Homem, que admiro tanto, com olhar longínquo,
sempre pronto e atento na medida dos seus limites, ainda me mostra o caminho da
dignidade, honestidade, trabalho e esperança. Este Homem brincalhão, porém
silencioso e pensativo, de fé e grande luta, bondoso e sincero, hoje completa
88 anos. Viva!! JJ
Obrigada Pai, por orientar o meu caminho de lutas e
incertezas, mas também, de muitas esperanças e sonhos. Privilégio inexplicável
ser sua filha, comemorarmos mais um ano de vida e tê-lo como o meu maior
presente, para sempre!
Nesse ano não passaremos juntos, mas as minhas
orações me levam aí pertinho e assim, agradecemos a presença de Deus que, mais
uma vez, concede-nos a graça da saúde, paz, amor e alegrias.
Que hoje o sol esteja mais brilhante e alegre o nosso
semblante! JJ
E.. “que o nosso aaaaniversário, seja muito
feliz...” (Salima)
domingo, 3 de janeiro de 2016
Os Melhores Votos
Texto muito oportuno de Gui Carloni que abrilhanta este acervo:
"Passada a euforia das festas, os fogos, as sete ondas, as doze uvas, o bom velhinho, os votos imprecisos e toda a volúpia alimentar que caracteriza, via de regra, os finais de ano, deixo aqui meus votos para o recém chegado dois mil e dezesseis.
"Passada a euforia das festas, os fogos, as sete ondas, as doze uvas, o bom velhinho, os votos imprecisos e toda a volúpia alimentar que caracteriza, via de regra, os finais de ano, deixo aqui meus votos para o recém chegado dois mil e dezesseis.
Que neste ano os quatro "porquês" possam ser finalmente diferenciados e usados adequadamente. Basta de desigualdade; é muita injustiça com os (sempre) três preteridos.
Que 2016 traga luz às pessoas que desejarão, demarcando o plural com "ão" e não com "am", um "feliz 2017 a todos", sem o acento indicativo de crase
Quando estiverem na praia, por favor, lembrem que todo coco tem casca, polpa, água e são ricos em minerais, mas nenhum tem acento. Seguem o exemplo da melancia. Hidratem-se.
Que todos possam curtir as férias, passear com suas respectivas famílias e tirar muito autorretrato bacana, sempre de olho e respeitando as leis de trânsito e da gramática. Se forem viajar, viajem com "j" e aproveitem a viagem com "g".
Falando em viajar, seja aonde for, que seja frutífero. Aqui, acolá ou onde quer que for.
Que o retorno ao trabalho seja mais prazeroso do que doloroso, mas que nada seja feito de forma atribulada a ponto de confundirmos os "mais" com os "mas".
Ainda no trabalho, ao esclarecer que alguns documentos estão sendo enviados num e-mail, que as pessoas deem lugar à concordância e digam que tais arquivos "seguem anexos".
Que o "de repente", assim, invariavelmente separado, surpreenda positivamente a cada um de vocês. Com certeza, que tambėm não é uma palavra única, este seria um indicativo de ano aprazível.
Há e sempre haverá razões para que algo precise ser lembrado ou esquecido. Há e não "a" ou "à". Haverá e não "haverão". Se a lembrança ou o esquecimento envolverem a preposição
"de", um pronome oblíquo precisa aparecer. Lembrem! E não se esqueçam disto!
"de", um pronome oblíquo precisa aparecer. Lembrem! E não se esqueçam disto!
Esta outra aqui já é do conhecimento de todos faz muitos anos. Toda vez que "fazer" precisar ser usado para descrever um tempo, ele deve permanecer no singular.
No final de tudo, caso você se engane e precise consertar algum erro, não se acanhe. É normal. Não faz mal. Nem mau,
que são muito diferentes. Entretanto, conserte com "s". E ficaremos quites, novamente com "s".
que são muito diferentes. Entretanto, conserte com "s". E ficaremos quites, novamente com "s".
"Menas" não existe. "A nível de" é errado. "Senão" e "se não" são coisas diferentes. "Descriminar" não é "discriminar". "De mais" não é o mesmo que "demais". Não é demais?
São meus sinceros votos para 2016 (em diante)!"
Gui Carloni 02/01/2016
sábado, 12 de dezembro de 2015
Feliz 83, Mãe Querida!
Que
o seu aaa-ni-ver-sá-rio... seja muuui- to
feliz...
Enquanto algumas pessoas fazem de tudo para tornarem-se
marcantes, outras agem naturalmente e tornam-se inesquecíveis.
O que dizer de uma mulher que ao dar a vida, entrega a
sua; ao lutar por seus filhos esquece-se de si mesma; ao desejar o sucesso
deles abandona os seus anseios; ao vibrar com suas vitórias, esquece seu
próprio mérito.
O que dizer de uma mãe que ao receber injustiças,
responde com seu amor; e que ao relembrar o passado faz um pedido: Deus proteja os meus filhos por toda a vida.
Que bom seria se Deus,
por um descuido, te fizesse eterna.
Todo
o meu amor
Todo
o meu carinho,
Zi
13/12/15
terça-feira, 30 de junho de 2015
Verbos Abundantes - Chego ou chegado?
Uma dúvida persiste entre os falantes de Português, no Brasil. Afinal, de acordo com as regras gramaticais, qual é a forma correta: "Ele tinha chego" ou "Ele tinha chegado"? Pra gente começar a conversa, precisamos entender por que alguns verbos assumem mais de uma forma de conjugação.
Já ouviu falar em verbos abundantes?
Segundo os principais dicionários e gramáticas, verbos abundantes são os verbos irregulares que apresentam mais de uma forma de conjugação equivalente para o mesmo tempo e pessoa. No caso de "chego" e "chegado", estamos falando de formas equivalentes de particípio.
E o fato gramatical é: o verbo CHEGAR não apresenta particípio abundante, ou seja, não possui duas formas equivalentes. Portanto, o correto é CHEGADO; e não chego. No caso que citamos no início deste texto, o adequado é "Ele tinha CHEGADO".
Mas por que tanta gente acaba usando construções como "Ele tinha chego"?
Como verificamos, alguns verbos possuem formas equivalentes. No caso do particípio, são abundantes os verbos: expulsar, pagar, ganhar e salvar, por exemplo. Por essa razão, são aceitas as construções: "Ele foi expulso da escola" e "O boleto foi pago".
Então, por que o desvio gramatical acontece? Um dos prováveis motivos é o de que o falante faz analogia (comparação) ao termo e emprega a mesma forma em outros verbos similares. Se eu digo, "ele tinha salvo o arquivo" (correto), posso dizer, também, "ele tinha chego em casa" (incorreto).
Se eu digo, "O projeto foi aceito pela diretoria" (correto), vou dizer "Ele tinha trago os sapatos" (incorreto). Pela simples comparação, o usuário faz novas construções que, inicialmente, não existem na gramática.
E tem outro detalhe: uma das formas do particípio é igual ao presente do indicativo. Veja só:
Eu trago quem quiser na minha casa. (correto: presente do indicativo)
Ele tinha trago à festa todos os amigos. (erro: particípio do verbo “trazer” - não abundante)
Ele tinha trago à festa todos os amigos. (erro: particípio do verbo “trazer” - não abundante)
Verifique alguns exemplos de verbos abundantes que possuem duas formas de particípio:
- ACENDER - acendido, aceso
- ACEITAR - aceitado, aceito
- CORRIGIR - corrigido, correto
- ELEGER - elegido, eleito
- EXPULSAR: expulsado, expulso
- ENTREGAR - entregado, entregue
- EXTINGUIR - extinguido, extinto
- FIXAR - fixado, fixo
- FRITAR - fritado, frito
- LIMPAR - limpado, limpo
- PRENDER: prendido, preso
- SALVAR: salvado, salvo
- SOLTAR: soltado, solto
Percebemos, por meio da analogia, a formação de novas construções. Fique atento às duas formas de particípio aceitas pela gramática. Saber analisar as características brasileiras do Português é muito importante. E ter o conhecimento das normas vigentes, também.
terça-feira, 28 de outubro de 2014
Não Perdi Nada
Não foi perda de tempo, como generalizou o Gregório em sua coluna de hoje (27/10/2014) na FSP.(http://bit.ly/1FQ6PZY)
Participei de algumas discussões políticas recentemente [talvez uma dezena], nas proximidades das eleições presidenciais de 2014. Assisti integralmente a cerca de 80% dos debates da televisão, com exceção ao último do segundo turno, do qual apenas pude ver o replay dos “melhores momentos” – na valiosa internet. Foram umas vinte horas atento a isso.
Empreguei outras tantas (horas) em leitura de jornais, sites, colunas aleatórias e revistas – de todos os “lados”. Sim, não há publicação idônea – vivamos com isso! Viajei, por fim, 1.400km em dois turnos, para exercer meu direito-dever; foram cerca de dezessete horas na empreitada dos trajetos, enfrentando as filas e votando.
Não perdi nada, não. Não perdi tempo. Não perdi os votos. Não perdi amigos. Não perdi a linha em nenhum momento. A (minha) esperança, aquela de sempre, só ruiu quando a primeira parcial foi revelada, pouco depois das 20h, mostrando uma diferença pequena (50,99% x 49,01%) a favor da situação, já com mais de 90% da apuração encaminhada. O número surgiu aos olhos, no aplicativo do TSE para celulares (20s antes da TV!), como um murro, bem dado, na boca do meu estômago. Nauseei, mas era preciso respirar. Acompanhei o restante do escrutínio, F5 detrás de F5, até a consagração do eleito – ou reeleita, mais precisamente.
Vitória incontestável. Éramos mais 142 milhões de votantes; 30 milhões dos quais (21%!) não apertaram o verde ontem. Democracia se fazendo lei, apesar da ausência de um em cada cinco brasileiros. Pelos dados, vê-se que a região Sudeste contribuiu decisivamente para o resultado. Chorem, esperneiem, revoltem-se. Os números são o que são.
As publicações digitais que sucederam a confirmação da reeleição da presidente, feita pelo TSE perto das 21h, merecem um capítulo de um livro – se não (em) vários deles – por algum cientista político ou estudioso de sociopolítica e comportamento humano. Alguém que possa ir até as zonas mais abissais do pensamento de seres humanos, especialmente daqueles que se revelaram extremamente cruéis e impiedosos. Tremenda falta de esportividade, para arrematar meu diagnóstico. Espécimes que, quem sabe, deveriam ser desclassificadas do reino e espécie a que um dia foram catalogados. Assim como os bandidos que depredaram a sede da revista Veja, e por pleno merecimento!
O que se viu nas redes sociais (extensão de nossas vidas reais e que, por isso, representam quem somos) foi, pra mim, apavorante.
Um ódio desmedido, uma série de inverdades encimadas por impropérios chulos, onde xenofobia era “arroz com feijão”. Acusações de ambas as partes, um festival de boçalidade. Havia excesso de ego e escassez de oxigênio – vital ao raciocínio. Gente incitando violência e até… o impeachment* da presidente reeleita. Quem acha que ganhou, por falta de lucidez. Quem acha que perdeu, por despeito.
*Não que não possa ocorrer, diga-se. Mas antes, é preciso que o congresso se sinta ameaçado. Até lá, há um bom caminho.
Imaginem: algumas dessas pessoas cogitaram separações geográficas no país, através… de um muro! Outras alegaram não ter mais orgulho da nação e não mais querer viver por essas bandas. Entendo o sentimento, a decepção e a derrota. A incivilidade, não. E tampouco compartilho do ódio ou da forma com a qual eles foram revelados. Estou tão ou mais descontente com o resultado do que eles, mas não há como compactuar com tamanha irascibilidade. Tudo era dicotomizado, como se assim pudesse ser. Reduziam-se, inaptamente, o entendimento e a explicação de fenômenos complexos ao conteúdo de “uma linha”, por vezes mal escrita. A generalização a desserviço do mundo – e de forma desencorajadora. Nota mental: há ainda um Everest de coisas a serem ensinadas às minhas filhas.
Mais da metade do país (representado aqui pelos que compareceram às urnas) se mostrou desconfortável e, logo, contra a situação. Somando-se os votos brancos, os nulos e os contrários à reeleição, foram 58 milhões de “confirma” não precedidos do número 13. Precedidos dele, 54 milhões. Mensagem de abrangência e importância inquestionáveis, dando conta de que a maioria da população não é conivente e não está feliz, entre outros, com a corrupção e a ineficiência econômica do país. Conceder voto ao partido que tem parte da liderança presa e que, segundo se apura, foi o maior aparelhador do Estado é – de fato – prá lá de preocupante. Há mais: até 2018, o partido dos trabalhadores terá nomeado, entre outros cargos, dez dos onze ministros do STJ, passando a reinar também no órgão judiciário máximo da nação. Uma lástima não termos promovido a troca do comando, cujas consequências são desconhecidas e amedrontadoras. O mesmo se aplica para o monopólio instalado no governo do estado de São Paulo.
Mesmo assim, não acho correto nem consigo julgar o voto das pessoas sem sê-las. Parece óbvio, mas não é; ainda que eu não entenda ou não concorde com elas. Sinto-me incapaz de fazê-lo sem considerar o que elas consideraram e sem, “polianamente”, sofrer o que elas sofrem [usando a acepção neutra do verbo sofrer]. O único que eu conseguiria fazer seriam análises simples de algumas relações entre os fatores regionais, a possível influência das pesquisas nos resultados, o “quem-sabe” poder dos debates e o temido alcance das mídias sobre as pessoas. Correlações que busquei entender, mas elas não são o objetivo desta argumentação.
Não conseguiria fazer aqui também críticas à igreja ou às milícias (leiam o texto do Gregório), sem ser do ou viver no Rio de Janeiro. O resultado em Minas Gerais é outra análise complicadíssima, frente à qual me sinto um cego tateando uma bula qualquer.
Na manhã seguinte ao resultado, acordei triste, um gosto amargo na boca, em uma espécie de depressão pós-pleito; batizei-a logo de DPP. Quisera que ela fosse fruto apenas da derrota do ‘meu’ candidato. Porém, a anos-luz disso, ela nasce e cresce exponencialmente na revelação da incapacidade de compreensão, diálogo e da postura desprezível de alguns brasileiros conhecidos (meus).
Definitivamente, no meu caso e apesar da ressaca moral, não perdi nada, Gregório.
[Guilherme Carloni, Out’14]
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
Adeus ao Tio Nege
Não há um vocábulo sequer que minimize o pesar de uma perda. É um momento extremamente solitário, que
requer espaço para a tristeza, espaço para algo que não tem remédio e acontece, de vez em
quando, com todos nós.
A lei da entropia continua “linha
dura”: tudo
lentamente se desgasta, o corpo enfraquece, os anos deixam marcas, as doenças
nos tiram, irrefreavelmente, nosso capital vital. É a lei da vida que inclui a
morte.
Há
momentos que somos tomados por uma enorme sensação de inutilidade, de vazio.
Morremos um pouco, cada vez que perdemos um ente querido. E como era querido
esse meu tio!
De repente ele se foi. Foi morar com
Deus. Deixou esse mundo para ocupar o melhor dos lugares, que deve ser
reservado a quem tudo deu e fez para ganhá-lo. Partiu, mas será sempre lembrado
pela vontade de vencer, por seu gosto pela vida, e, principalmente, pela
alegria com a qual saudava àqueles a quem amava, com todo o carinho que a eles
dirigia.
Pensei em registrar aqui algo significativo, como, por exemplo, os felizes momentos nas incontáveis viagens que fizemos por esse país. Nas praias, com toda a nossa família, o pão quentinho e o café da manhã eram, religiosamente, garantidos por sua ‘conta’. Da Praia Grande a Manaus, do Rio de Janeiro a Brasília, de Guarapari a Florianópolis, lá estava ele, sempre tão presente e prestativo,, em todos os momentos da nossa vida. Nunca esquecerei o prazer dessa companhia.
Há exatos dois meses, quando o vi pela última vez, passamos momentos tão alegres, que ainda causam-me muita emoção. Levarei comigo, todas as palavras, as mais doces lembranças, incontáveis conselhos, sorrisos pacificadores e um real aprendizado do amor incondicional.
Guardarei para sempre o seu semblante humilde , o seu jeito brando, sua presença amiga e todos os seus ensinamentos de tio, padrinho, amigo, confidente, irmão, por muitas vezes pai, parceiro, companheiro, um GRANDE HOMEM, que para sempre será.
Creio verdadeiramente, que Deus o escolheu como companheiro, porque somente os filhos especiais se tornam anjos celestiais.
Acolha-o no teu reino de paz, Senhor, como uma oração
de gratidão, por ter feito dele, uma das grandes alegrias da minha vida.
Jamais te esquecerei, meu querido tio Nege.
Profundamente sensibilizada.
Zilda Carloni
01.01.2014
Zilda Carloni
01.01.2014
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Homenagem aos meus pais
Hoje, 28/06/2013, é dia de
comemorar algo muito especial: é o dia de um casal diamantado: Emilio Carloni e
Salima Elias Carloni. Eles iniciaram uma história que começou há 60 anos, com a
celebração de um belo matrimônio. Os encantos daquele dia não se apagaram,
continuam até hoje e nos mostram o quanto é belo saber cultivar o amor.
Hoje é
dia de desejar-lhes felicidades na grandeza desse momento sem igual: Bodas de Diamante!
É fácil imaginar como deve ter
sido lá no início: uma simples aproximação, talvez um sonho distante, um
despretensioso namoro; depois, o noivado e o casamento. Um lugar encantado
acolhia parentes, amigos e convidados. Todos, alegremente, cobriam o casal, com
orações e com os mais sinceros votos de felicidades.
Sessenta anos de convivência
formam várias histórias que o tempo jamais apaga. Certamente, foram muitos os
momentos importantes em meio a tantas dificuldades.
Sessenta anos de matrimônio, que marca
admirável! Poucos, na vida, têm a oportunidade de comemorar, com alegria e
saúde, esse inesquecível acontecimento. Ele demonstra o quanto valeu manter a
serenidade, a firmeza e a determinação para enfrentar a vida. Hoje, podemos
perceber no brilho do olhar de ambos, o sentimento de felicidade pela sabedoria
de terem preservado tão grande amor. Fica o exemplo; nenhum outro acontecimento
envolvendo vidas humanas é tão significativo como esse.
A vocês, meus pais, desejo que a
paz contagie as demais gerações, a fim de que elas possam seguir esse belo
exemplo de união como um legado indispensável à prática do amor na vida a dois.
Parabéns!!
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Portão 11
Salão de embarque.
Um casal
dialoga.
Segunda-feira
[muito] cedo.
Ela não
tira férias há três anos.
Por
cinquenta minutos.
Espero o
primeiro voo.
Ela
chegou primeiro.
Antes do
que eu, inclusive.
Toma suco
de laranja.
Falam da
contratação dele, prestes a cumprir um ano.
Vestes
informais.
Sapato
preto com brilhos dourados.
Bebo
água.
Ele traja
jeans e camisa do dia-a-dia corporativo.
E trouxe
um terno embalado.
Ela,
alguns quilos de sobrepeso.
Come uma
salada de frutas.
E tem
formação green belt.
Confiro
meus e-mails.
Trabalha
um pro outro.
Ele pra
ela.
Sentados
estamos.
Ele é
diretor.
Casado.
Dela, não
se pode afirmar.
Em uma
empresa farmacêutica.
Vamos
para Cali.
Ela usa
dois celulares e um tablet.
Cuidam de
compliance.
Ele tem
problema nos óculos.
Não é na
Schering.
Não é na
Merck.
Ele veio
da Merck.
Ele tem
“crianças” e não viajarão no Carnaval.
Ele fala
mais que ela.
Não é na
Sigma.
Ela gosta
da Bahia.
Nem na
Solvay.
Ele,
Gustavo.
Uns 38.
Ela,
Cris.
Cris, só
Cris ou redução de outro?
Aparenta
35.
Observar
sem ser notado.
Reveladora
e divertida arte.
Última chamada.
O portão
11 nos engoliu.
@GuiCarloni Fev/2013
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