O verbo "ser" tem uma característica muito especial: é o único na língua portuguesa que permite a concordância com o predicativo.
Essa característica nos faculta escolher entre "Tudo é flores" ou "Tudo são flores", só para ficar num exemplo clássico.
O fato é que, com o verbo "ser", não importa muito a função sintática. É tudo uma questão de preferência, que pode ser resumida assim:
1. Sujeito coisa e predicativo coisa - a preferência é pela coisa plural: "Nossa força são as florestas".
2. Sujeito pessoa e predicativo pessoa - como no caso anterior, preferência pela forma plural: "Aqueles personagens eram um só ator"; "Um só ator eram aqueles personagens".
3. Oração formada por pessoa e coisa - independentemente da função sintática desses termos (sujeito ou predicado), o verbo concorda preferencialmente com a pessoa: "As crianças são o melhor do mundo"; "O melhor do mundo são as crianças".
4. Oração formada por pessoa e pronome pessoal - qualquer que seja a função sintática deles, a preferência é pelo pronome: "O comandante, trabalhadores do Brasil, sois vós".
5. Coisa e pronome - independentemente da função sintática, preferência pelo pronome: "A cor dessa cidade sou eu".
6. Sujeito pronome pessoal e predicativo pronome pessoal - preferência pelo pronome sujeito: "Eu sou eles amanhã", "Eles são eu amanhã".
UM CASO ESPECIAL
Numa oração em que o sujeito está indeterminado (sem artigo, pronome ou adjetivo) e o predicativo é representado por adjetivos como "bom", "necessário" e "proibido", o verbo "ser" não varia: "Vitaminas é bom para todos", "Comida é necessário", "É proibido cães".
Se, porém, o sujeito estiver determinado, a concordância será normal: "A vida é boa"; "É necessária a sua ajuda"; "São proibidas pessoas estranhas".
Convém acrescentar que o adjetivo "preciso", quando abre a oração, fica no singular, estando ou não determinado o sujeito: "É preciso a participação popular"; "É preciso muitas qualidades para trabalhar naquela empresa".
DESAFIO
Qual frase está de acordo com a norma culta?
a) Eram perto das 12 horas.
b) Era perto das 12 horas.
c) “a” e “b” estão corretas.
RESPOSTA
Indicando horas e seguido de locuções como "perto de", "cerca de", "mais de", o verbo "ser" tanto pode concordar no singular como no plural. Portanto, "a" e "b" estão corretas.
Esse blog é destinado aos interessados em Língua Portuguesa, cultura, leitura e educação que queiram, livre e criativamente, consultar, debater e apresentar suas ideias. Sejam todos muito bem-vindos! Vamos aprender juntos?
sexta-feira, 22 de julho de 2011
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Etimologia de "Bolero"
Não se conhece, com certeza, a procedência do nome deste rítmo andaluz originado no século XVIII, modernizado em Cuba e convertido em sucesso latino-americano na primeira metade do século XX.
Sabe-se que, em certa época, chamou-se “bolero” o chapéu de dança andaluz, e hoje tem a acepção, entre outras, de chapéu copado, o que poderia ter levado a se dar o mesmo nome para a dança. Mas também se aplica em espanhol antigo, a quem diz muitas mentiras com base na gíria cigana “bola”, mentira.
No Dicionário castelhano de Terreros, está registrado com o sentido de “menino que falta à escola sem que sua família saiba”.
Todas estas acepções levaram Corominas a formular a hipótese, não suficientemente comprovada, de que o vocábulo "bolero" poderia haver nascido associado à ideia de vagal, homem sem profissão. No entanto, o mesmo autor também apresentou a possibilidade de que a palavra tenha se derivado do castelhano “vuelo” - voo -, pois o bolero é todo em saltos, como um voo.
Sabe-se que, em certa época, chamou-se “bolero” o chapéu de dança andaluz, e hoje tem a acepção, entre outras, de chapéu copado, o que poderia ter levado a se dar o mesmo nome para a dança. Mas também se aplica em espanhol antigo, a quem diz muitas mentiras com base na gíria cigana “bola”, mentira.
No Dicionário castelhano de Terreros, está registrado com o sentido de “menino que falta à escola sem que sua família saiba”.
Todas estas acepções levaram Corominas a formular a hipótese, não suficientemente comprovada, de que o vocábulo "bolero" poderia haver nascido associado à ideia de vagal, homem sem profissão. No entanto, o mesmo autor também apresentou a possibilidade de que a palavra tenha se derivado do castelhano “vuelo” - voo -, pois o bolero é todo em saltos, como um voo.
Abbottabad
Abbottabad: A cidade paquistanesa onde o terrorista Osama bin Laden terminou seus dias tomou seu nome do general britânico Sir James Abbott, que a fundou em 1853, pouco depois de as forças da Rainha Vitória anexarem o Punjab.
Na língua urdu, o nome significa algo como “cidade de Abbott”, assim como Islamabad é a cidade do Islam.
O nome Abbottabad, conhecido em nossa língua a partir do assassinato de Bin Laden, foi empregado até agora sem qualquer mudança ortográfica pela maior parte da imprensa.
Na língua urdu, o nome significa algo como “cidade de Abbott”, assim como Islamabad é a cidade do Islam.
O nome Abbottabad, conhecido em nossa língua a partir do assassinato de Bin Laden, foi empregado até agora sem qualquer mudança ortográfica pela maior parte da imprensa.
Etimologia de "Correio"
No Brasil denomina-se "Correios" por se tratar de mais de um serviço: "Correios e Telégrafos".
Definição geral: É o nome do serviço público, que tem por objeto o transporte da correspondência oficial e privada, e também designa a pessoa que tem por ofício, levar a correspondência de um lugar para outro. Por extensão, é também o veículo que leva a correspondência.
Definição geral: É o nome do serviço público, que tem por objeto o transporte da correspondência oficial e privada, e também designa a pessoa que tem por ofício, levar a correspondência de um lugar para outro. Por extensão, é também o veículo que leva a correspondência.
Palavra comum a várias línguas romances, sua origem é duvidosa, embora se suponha que provém do provençal antigo “corrieu”, composta de “corir”, correr, e “lieu”, lugar.
Este termo também denotava a pessoa que ia de um lugar a outro com cartas e mensagens. No entanto, alguns chamaram a atenção para a importância que pode ter tido em sua formação, o vocábulo do castelhano antigo “correo”, que nos tempos de El Cid Campeador significava bolsa para levar dinheiro. Esta hipótese deixa sem explicar como chegou esta palavra, naqueles tempos de comunicações difíceis e de viagens raras e intermináveis, ao italiano “corriere” e ao francês “courrier”, ao catalão “correu”, ao provençal “corrieu” e ao português correio.
É mais clara a etimologia do adjetivo "postal", proveniente do latim “positus”, o nome dos postos de correio situados ao longo dos caminhos, destinados ao descanso dos cavalos dos mensageiros.
É mais clara a etimologia do adjetivo "postal", proveniente do latim “positus”, o nome dos postos de correio situados ao longo dos caminhos, destinados ao descanso dos cavalos dos mensageiros.
terça-feira, 12 de julho de 2011
A Concordância na Voz Passiva
A voz passiva sintética é uma ilustre desconhecida para a maioria. É por isso que predominam frases equivocadas como “Vende-se carros”, “Aluga-se salas” e “Contrata-se costureiras”.
A gramática nos ensina que existem três vozes:
A gramática nos ensina que existem três vozes:
– ativa, o sujeito pratica a ação: “Ele vende carros”;
- passiva, o sujeito sofre a ação: “Vendem-se carros” ou “Carros são vendidos”;
- reflexiva, o sujeito pratica e sofre a ação: “Ele se cortou”.
O grande problema é que, geralmente, não entendemos que nas orações, o sujeito pode ser passivo e vemos o substantivo (que exerce a função de sujeito) como objeto direto, por isso diz “Vende-se carros”.
O grande problema é que, geralmente, não entendemos que nas orações, o sujeito pode ser passivo e vemos o substantivo (que exerce a função de sujeito) como objeto direto, por isso diz “Vende-se carros”.
É isso que leva alguns linguistas a dizer que no português do Brasil não existe a voz passiva sintética e que o substantivo dessa estrutura é realmente um objeto direto.
Será mesmo? Vamos pronominalizar o termo “carros” da construção popular “Vende-se carros”.
Que pronome usaremos? Se “carros” é objeto direto, o pronome que substitui objeto direto é o oblíquo, neste caso,“os”.
Fica, dessa forma, “Vende-se os”.
Ruim, não é?
Vamos tentar com outro pronome: “Vende-se eles”.
Agora, sim, ficou bom.
Sabe por quê? Porque “ele” é pronome pessoal que exerce a função de sujeito.
Isso prova que “carros” é sim o sujeito da oração, tanto que foi substituído por um pronome que pode exercer a função de sujeito.
Não há dúvida, portanto, que existe a voz passiva sintética.
Se alguém não sabe identificá-la, são outros quinhentos.
E pode haver várias causas. Uma delas: a qualidade do nosso ensino.
Será mesmo? Vamos pronominalizar o termo “carros” da construção popular “Vende-se carros”.
Que pronome usaremos? Se “carros” é objeto direto, o pronome que substitui objeto direto é o oblíquo, neste caso,“os”.
Fica, dessa forma, “Vende-se os”.
Ruim, não é?
Vamos tentar com outro pronome: “Vende-se eles”.
Agora, sim, ficou bom.
Sabe por quê? Porque “ele” é pronome pessoal que exerce a função de sujeito.
Isso prova que “carros” é sim o sujeito da oração, tanto que foi substituído por um pronome que pode exercer a função de sujeito.
Não há dúvida, portanto, que existe a voz passiva sintética.
Se alguém não sabe identificá-la, são outros quinhentos.
E pode haver várias causas. Uma delas: a qualidade do nosso ensino.
Para identificar a voz passiva sintética, o primeiro passo é entender que existem orações em que o sujeito sofre a ação expressa pelo verbo, ou seja, é passivo.
O segundo é saber que todas as orações na voz passiva sintética têm esta estrutura: verbo transitivo direto (que pede complemento sem preposição) acompanhado da partícula apassivadora “se” e de substantivo, que é o sujeito passivo e leva o verbo a concordar com ele.
Veja: “Alugam-se casas”.
Veja: “Alugam-se casas”.
Estrutura da oração: verbo transitivo direto + se + substantivo/sujeito passivo.
Há vezes em que o “se” vem antes do verbo e a estrutura muda um pouquinho: “Em Bruxelas dificilmente se veem mendigos”.
Estrutura da oração: se + verbo transitivo direto + substantivo/sujeito.
Importante também é saber que todas essas orações podem ser passadas para a voz passiva analítica, que tem a seguinte estrutura:
Estrutura da oração: se + verbo transitivo direto + substantivo/sujeito.
Importante também é saber que todas essas orações podem ser passadas para a voz passiva analítica, que tem a seguinte estrutura:
- substantivo/ sujeito passivo + verbo ser + particípio.
Ou seja:
Ou seja:
“Alugam-se casas” se transforma em “Casas são alugadas”;
“Em Bruxelas dificilmente se veem mendigos” vira “Em Bruxelas dificilmente mendigos são vistos”.
terça-feira, 5 de julho de 2011
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Desparecer x espairecer
A palavra "desparecer" é sinônimo de "desaparecer", de "sumir".
Muitos a usam com o sentido de "distrair-se", de "entreter-se", de "descansar a mente por meio de recreação".
Quem assim procede está confundindo "desparecer" com "espairecer".
Esta sim é que significa "distrair-se", "entreter-se", "descansar a mente por meio de recreação": "Estou estressado. Preciso espairecer um pouquinho.
Muitos a usam com o sentido de "distrair-se", de "entreter-se", de "descansar a mente por meio de recreação".
Quem assim procede está confundindo "desparecer" com "espairecer".
Esta sim é que significa "distrair-se", "entreter-se", "descansar a mente por meio de recreação": "Estou estressado. Preciso espairecer um pouquinho.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Etimologia de "Estrutura"
A palavra latina “structura”, de onde provém este vocábulo, formou-se a partir do verbo “struere”, ‘acomodar em pilhas, empilhar’, que por sua vez provém da raiz indoeuropéia “ster-“, despregar.
Um vez que os romanos deram ao verbo “struere” a denotação acima indicada, formou-se não só "estrutura", mas também uma ampla família de palavras na qual se contam verbos e substantivos, cujos significados se determinam mediante o uso de prefixos, tais como:
construir - com o prefixo con-;
reconstruir - mediante os prefixos re- (‘de novo’), con-;
destruir - mediante o prefixo des-;
instruir - ‘ministrar a alguém elementos internos como o conhecimento’, mediante o prefixo in-;
obstruir - mediante o prefixo ob-, ‘contra’.
De instruir derivou-se também instrumento. O prefixo in- tomava, às vezes, em latim a forma “indu”, com o qual instruir deu lugar também à indústria e seus derivados.
Antepondo o prefixo super-, temos superestrutura, originalmente ‘algo que está construido acima’.
Nos primeiros anos do século XX, o linguista suiço Ferdinand de Saussure tomou a palavra para explicar sua teoria da linguagem humana, que concebia como uma estrutura binária. Este enfoque influiu logo sobre outras ciências e disciplinas, como a Antropologia e a Filosofia, nas quais se desenvolveram correntes estruturalistas baseadas nas ideias de Saussure.
Um vez que os romanos deram ao verbo “struere” a denotação acima indicada, formou-se não só "estrutura", mas também uma ampla família de palavras na qual se contam verbos e substantivos, cujos significados se determinam mediante o uso de prefixos, tais como:
construir - com o prefixo con-;
reconstruir - mediante os prefixos re- (‘de novo’), con-;
destruir - mediante o prefixo des-;
instruir - ‘ministrar a alguém elementos internos como o conhecimento’, mediante o prefixo in-;
obstruir - mediante o prefixo ob-, ‘contra’.
De instruir derivou-se também instrumento. O prefixo in- tomava, às vezes, em latim a forma “indu”, com o qual instruir deu lugar também à indústria e seus derivados.
Antepondo o prefixo super-, temos superestrutura, originalmente ‘algo que está construido acima’.
Nos primeiros anos do século XX, o linguista suiço Ferdinand de Saussure tomou a palavra para explicar sua teoria da linguagem humana, que concebia como uma estrutura binária. Este enfoque influiu logo sobre outras ciências e disciplinas, como a Antropologia e a Filosofia, nas quais se desenvolveram correntes estruturalistas baseadas nas ideias de Saussure.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Etimologia de "Odisseia"
Depois da Ilíada, o poema épico no qual é narrada a guerra de Troia, Homero cantou a “Odisea” para contar a saga de Odiseo, o mais célebre dos heróis daquela guerra. Ao fim da guerra de Troia, Odiseo (para os latinos, Ulisses) viveu incontáveis peripécias e demorou vinte anos para chegar a sua casa em Ítaca, onde era esperado por sua mulher, Penélope, e por seu filho, Telêmaco.
O nome de Odiseo passou às línguas modernas como epônimo de uma longa viagem, cheia de toda sorte de aventuras ou, também, de uma sucessão de peripécias, no geral desagradáveis, por que alguém passa.
O nome de Odiseo passou às línguas modernas como epônimo de uma longa viagem, cheia de toda sorte de aventuras ou, também, de uma sucessão de peripécias, no geral desagradáveis, por que alguém passa.
Definição do Houaiss: (o.dis.sei.a)
1 Longa viagem cheia de aventuras, peripécias e eventos inesperados: Nossa odisseia ao Marrocos quase nos matou.
2 Narração dessa viagem.
3 Fig. Qualquer coisa que envolve obstáculos e complicações inesperadas: Tirar a carteira de motorista foi uma odisseia.
[F.: Do lat. odyssêa, ae, deriv. do gr. odusseía, as.]
1 Longa viagem cheia de aventuras, peripécias e eventos inesperados: Nossa odisseia ao Marrocos quase nos matou.
2 Narração dessa viagem.
3 Fig. Qualquer coisa que envolve obstáculos e complicações inesperadas: Tirar a carteira de motorista foi uma odisseia.
[F.: Do lat. odyssêa, ae, deriv. do gr. odusseía, as.]
Complicações idiomáticas
É verdade matemática
Que ninguém podi negá
Quessa história de gramática
Só servi pra atrapaiá
Que ninguém podi negá
Quessa história de gramática
Só servi pra atrapaiá
Inda vem língua estrangera
Ajudá a compricá
Mió nóis cabá cuisso
Pra todus podê falá.
Ajudá a compricá
Mió nóis cabá cuisso
Pra todus podê falá.
Na Ingraterra ouví dizê
Que um pé de sapato é xu
Desde logo já se ve
Dois pé de sapato é xuxu
Que um pé de sapato é xu
Desde logo já se ve
Dois pé de sapato é xuxu
Xuxu pra nois é legumi
É verdade e não buato
O ingrês que lá se arrumi
Mas nóis num come sapato.
É verdade e não buato
O ingrês que lá se arrumi
Mas nóis num come sapato.
Ná Itália ouví dizê
Eu não sei porque razão
Que mantega lá é burro
Lá se passa burro no pão
Eu não sei porque razão
Que mantega lá é burro
Lá se passa burro no pão
Desse jeito pra mim chega
Sarve o povo do sertão
Onde mantega é mantega
Nóis num come burro não.
Sarve o povo do sertão
Onde mantega é mantega
Nóis num come burro não.
Na América corpo é bódi
Veja que bódi vai dá
Conhecí uma americana
Doida pro bódi entregá
Veja que bódi vai dá
Conhecí uma americana
Doida pro bódi entregá
Fiquei meio atrapaiado
E disse pra me escapá
Oia moça eu não sou cabra
Chega seu bódi pra lá.
E disse pra me escapá
Oia moça eu não sou cabra
Chega seu bódi pra lá.
No Chile cueca é dança
Pra se dançá e bailá
Lá se dança e baila cueca
Até a noite acabá
Pra se dançá e bailá
Lá se dança e baila cueca
Até a noite acabá
Mas se um dia um chileno
Vié pro Brasil dançá
Tente mostrá a cueca
Pra ve onde vai pará.
Vié pro Brasil dançá
Tente mostrá a cueca
Pra ve onde vai pará.
Uma gravata esquisita
Um certo francês me deu
Perguntei onde se bota
Acho que num entendeu
Um certo francês me deu
Perguntei onde se bota
Acho que num entendeu
Me danei com a resposta
Isso é coisa eu que não faço
Seu francês maleducado
Mete a gravata no seu.
Meus agradecimentos a Manoel Carlos Pinheiro).
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Qual é o Gênero? Parte II
O cal ou a cal? É substantivo de gênero feminino. Por Exemplo: A cal que vamos utilizar na obra já foi encomendada. | |
O púbis ou a púbis? É substantivo do gênero masculino. Por Exemplo: O púbis é a parte mais anterior do osso ilíaco. | |
| O xerox ou a xerox? Tanto faz. As duas formas são aceitas. Por Exemplo: Peguei o xerox que a professora solicitou. | |
O magazine ou a magazine? É substantivo de gênero masculino, originado da forma francesa magasin (armazém). Por Exemplo: O magazine abrirá neste feriado. | |
O mascote ou a mascote? É substantivo de gênero feminino, originado da forma francesa mascotte (representa boa ventura, boa sina). A mascote pode ser representada por pessoa, animal ou coisa, cuja presença traga boa sorte. Por Exemplo: Nos jogos pan-americanos de 2007, o Brasil elegeu uma mascote. | |
O fondue ou a fondue? É substantivo de gênero feminino, corresponde ao particípio passado do verbo fondre, que em francês significa fundir (derreter). O dicionário Aurélio e o Vocabulário Ortográfico da ABL registram fondue como substantivo de gênero feminino. Para o dicionário Houaiss, é substantivo de dois gêneros. Por Exemplo: Nos dias frios, gosto de saborear uma fondue. | |
| O musse ou a musse? É substantivo de gênero feminino, originado da forma francesa mousse (espuma), referindo-se a uma preparação culinária leve e espumosa. Por Exemplo: Adoro a musse de maracujá feita por minha mãe. | |
| O baguete ou a baguete? Segundo os dicionários Aurélio e Houaiss, é substantivo de gênero feminino. A palavra tem origem na forma francesa baguette (bastão pequeno e fino). Por Exemplo: Comprei uma baguete para comer durante a tarde. | |
O champanhe ou a champanhe? É substantivo de gênero masculino, pois refere-se a um vinho. A palavra originou-se da forma francesa champagne. Por Exemplo: O champanhe é um vinho branco mundialmente conhecido e produzido na região de Champagne, no nordeste da França. |
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Dia do Trabalho ou do Trabalhador?
Essa dúvida costuma vir à tona nestes dias que antecedem o 1º de Maio.
É mais uma questão de preferência, pois as duas formas são corretas.
Em Portugal, por exemplo, é mais comum Dia do Trabalhador.
No Brasil, talvez por influência de outros países, Dia do Trabalho tem forte uso.
No Brasil, talvez por influência de outros países, Dia do Trabalho tem forte uso.
Espanha: Día del Trabajo;
França: Fête du Travail;
Itália: Festa del Lavoro;
Estados Unidos: Labor Day.
E não vale criticar a preferência brasileira sob o argumento de que na data em questão o homenageado é o trabalhador, e não o trabalho. Bobagem. Em Dia do Trabalho, trabalho está por trabalhador.
Ou seja, há neste caso uma relação de metonímia, figura de linguagem que consiste no emprego de uma palavra no lugar de outra por haver entre elas alguma associação de sentido.
Em resumo: tanto faz dizer Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador.
E não vale criticar a preferência brasileira sob o argumento de que na data em questão o homenageado é o trabalhador, e não o trabalho. Bobagem. Em Dia do Trabalho, trabalho está por trabalhador.
Ou seja, há neste caso uma relação de metonímia, figura de linguagem que consiste no emprego de uma palavra no lugar de outra por haver entre elas alguma associação de sentido.
Em resumo: tanto faz dizer Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador.
domingo, 17 de abril de 2011
Qual é o Gênero?
À exceção dos seres sexualmente diferenciados, o gênero de alguns substantivos fixa-se ao longo da evolução histórica de cada língua. Assim, não raro um mesmo substantivo difere, quanto ao gênero, de uma língua para outra. Existem palavras que possuem gênero ambíguo, a elas se aplicando tanto o masculino como o feminino. Há nomes que são chamados comuns de dois, por se aplicarem a ambos os sexos. Diante das variações possíveis, o gênero de algumas palavras costuma provocar discussões. Veja a seguir as dúvidas mais frequentes:
O guaraná ou a guaraná? O refrigerante, feito de um fruto da Amazônia, possui gênero masculino, da mesma forma que o fruto. Fala-se erradamente em ‘a guaraná’, por analogia a outros refrigerantes (como a Coca, Pepsi, etc.). Por Exemplo: Vamos beber um guaraná. | |
O aguardente ou a aguardente? É substantivo de gênero feminino. Por Exemplo: Esta aguardente é a melhor que encontramos no mercado. | |
| O gambá ou a gambá? Tanto faz. As duas formas são corretas. Por Exemplo: A gambá é um animal mamífero. | |
O pernoite ou a pernoite? É substantivo de gênero masculino. Por Exemplo: O pernoite nesta pousada está um pouco caro. | |
O sabiá ou a sabiá? Tanto faz. As duas formas são corretas. Por Exemplo: O canto da sabiá é muito conhecido. | |
O laringe ou a laringe? Tanto faz. As duas formas são corretas. Por Exemplo: O laringe evita a penetração de alimento na traqueia. | |
| O diabete ou a diabete? As duas formas são aceitas. Em alguns casos, usa-se diabetes, que apesar do "s" final, trata-se de um vocábulo no singular. Assim, tem-se: o diabete, a diabete, o diabetes ou a diabetes. Por Exemplo: Na aula de biologia, estudaremos o diabete. | |
O fênix ou a fênix? É substantivo de gênero feminino. Por Exemplo: A ave fênix, segundo a tradição egípcia, renascia das próprias cinzas. |
|
"A moral" ou "O moral"?
A moral é o conjunto das normas de conduta, os princípios que regem os bons costumes de uma sociedade e que são convencionados como válidos. Por exemplo:
Respeite a moral de nossa cidade.
A moral também pode significar a conclusão ou o propósito de algum fato. Por exemplo:
Qual foi a moral da piada que ele contou?
O moral diz respeito ao ânimo, à disposição e ao estado de espírito das pessoas. Por exemplo:
O moral da classe estava baixo depois da prova de Português.
O técnico melhorou o moral do time.
Respeite a moral de nossa cidade.
A moral também pode significar a conclusão ou o propósito de algum fato. Por exemplo:
Qual foi a moral da piada que ele contou?
O moral diz respeito ao ânimo, à disposição e ao estado de espírito das pessoas. Por exemplo:
O moral da classe estava baixo depois da prova de Português.
O técnico melhorou o moral do time.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Eufonia e Cacofonia
Eufonia é palavra de origem grega que significa “escolha harmoniosa dos sons”.
O conceito oposto da eufonia é a cacofonia, que tende a ser evitada principalmente na linguagem mais cuidada.
Alguns exemplos de Cacofonia:
Paguei vinte reais por cada litro de azeite
A boca dela é muito grande
Essa fada é mais bonita que a outra.
Eu não queria amá-la, mas amei-a.
João toca gado no campo.
Nesse calor, até elefante na bunda sua.
Bota em você aperta?
Vamo de carro, João vai na frente e Paula atrás.
Você corre também ou só caminha?
Quem tem posto aí atrás?
Tem culpa ele?
Ele tem fé demais.
Aqui não tem pão, mas lá tinha
A vez passada comemos aqui
Uma herdeira confisca gado em Mato Grosso
Estas ideias, como as concebo, são irrealizáveis
Nunca gaste tudo
...e muito mais...
O conceito oposto da eufonia é a cacofonia, que tende a ser evitada principalmente na linguagem mais cuidada.
Alguns exemplos de Cacofonia:
Paguei vinte reais por cada litro de azeite
A boca dela é muito grande
Essa fada é mais bonita que a outra.
Eu não queria amá-la, mas amei-a.
João toca gado no campo.
Nesse calor, até elefante na bunda sua.
Bota em você aperta?
Vamo de carro, João vai na frente e Paula atrás.
Você corre também ou só caminha?
Quem tem posto aí atrás?
Tem culpa ele?
Ele tem fé demais.
Aqui não tem pão, mas lá tinha
A vez passada comemos aqui
Uma herdeira confisca gado em Mato Grosso
Estas ideias, como as concebo, são irrealizáveis
Nunca gaste tudo
...e muito mais...
segunda-feira, 4 de abril de 2011
A fora ou Afora
Quase sempre é "afora", em uma palavra.
"A fora", separado, só se usa em oposição a "dentro": "Dedetizou a casa de dentro a fora".
Nos demais casos, "afora":
"Foram todos ao cinema, afora o pai";
"Ajuda vários amigos, afora a família";
"Saiu porta afora";
"Andou por este país afora";
"Seguiu rio afora";
"O filme está quebrando recordes de bilheteria mundo afora.
"A fora", separado, só se usa em oposição a "dentro": "Dedetizou a casa de dentro a fora".
Nos demais casos, "afora":
"Foram todos ao cinema, afora o pai";
"Ajuda vários amigos, afora a família";
"Saiu porta afora";
"Andou por este país afora";
"Seguiu rio afora";
"O filme está quebrando recordes de bilheteria mundo afora.
terça-feira, 29 de março de 2011
Pronúncia e Etimologia de "Subsídio e "Obséquio"
Subsídio
O "s" dessa palavra soa como "ss", e não como "z", do mesmo modo que subsaariano, subsecretário, subserviente, subsistência, subsolo.
Para ter som de “z”, o “s” precisa ficar entre duas vogais.Não é o caso.
A palavra subsídio designava uma corporação do exército romano, sub sedio, que era formada por soldados estrangeiros. Essa corporação somente atuava quando havia necessidade de socorro, de auxílio, o que explica o sentido moderno de subsídio.
Obséquio
Das palavras com o encontro “-bs-”, o “s” tem som de “z” somente em obséquio e derivadas (obsequiar, obsequioso, obsequiosidade).
É por um motivo etimológico. Obséquio é da família de exéquias. Elas não são sinônimas, a primeira significa favor, a segunda, cerimônias fúnebres.
segunda-feira, 28 de março de 2011
Etimologia de "Napalm"
Napalm é um explosivo usado em bombas incendiárias e lança-chamas. Durante a Primeira Guerra Mundial, os alemães haviam empregado gasolina com o mesmo propósito, mas constataram que se consumia com demasiada rapidez.
Pouco depois de os Estados Unidos entrarem na Segunda Guerra Mundial, Washington destinou fundos a uma pesquisa para fazer com que a gasolina se extinguisse mais lentamente, até que, em 1942, a Universidade de Harvard e o Exército norte-americano encontraram a maneira de misturar a gasolina com uma substância gelatinosa, o palmitato de sódio, para que a combustão durasse mais tempo e, assim, provocasse mais dano. A empresa que o fabrica com exclusividade para o governo norte-americano é a Dow Chemical.
O Napalm foi usado no Japão, Coréia e Vietnam, onde causou tragédias tão horríveis que foi condenado internacionalmente como arma genocida. No Iraque e Afeganistão, os Estado Unidos trocaram o NapalmB por um produto muito parecido, denominado Mark-77, que consideram legal porque não está incluído na proibição das Nações Unidas de 1980.
"O nome napalm deriva do acrônimo dos nomes dos seus componentes originais, sais de alumínio co-precipitados dos ácidos nafténico e palmítico. Estes sais eram adicionados a substâncias inflamáveis para serem gelificadas."
Fonte: Wikipedia
Pouco depois de os Estados Unidos entrarem na Segunda Guerra Mundial, Washington destinou fundos a uma pesquisa para fazer com que a gasolina se extinguisse mais lentamente, até que, em 1942, a Universidade de Harvard e o Exército norte-americano encontraram a maneira de misturar a gasolina com uma substância gelatinosa, o palmitato de sódio, para que a combustão durasse mais tempo e, assim, provocasse mais dano. A empresa que o fabrica com exclusividade para o governo norte-americano é a Dow Chemical.
O Napalm foi usado no Japão, Coréia e Vietnam, onde causou tragédias tão horríveis que foi condenado internacionalmente como arma genocida. No Iraque e Afeganistão, os Estado Unidos trocaram o NapalmB por um produto muito parecido, denominado Mark-77, que consideram legal porque não está incluído na proibição das Nações Unidas de 1980.
"O nome napalm deriva do acrônimo dos nomes dos seus componentes originais, sais de alumínio co-precipitados dos ácidos nafténico e palmítico. Estes sais eram adicionados a substâncias inflamáveis para serem gelificadas."
Fonte: Wikipedia
Etimologia de "Foragido"
Delinquente que abandona seus lugares habituais para não ser alcançado pela justiça.
As cidades medievais constituíram uma proteção para as pessoas que queriam defender-se de invasores estrangeiros, malfeitores e saqueadores. Formaram-se em redor dos castelos, como uma maneira de contar com a proteção dos senhores, e também no cruzamento de caminhos, por onde circulavam mercadorias que se convertiam em pretexto para as feiras.
Desde a Alta Idade Média e, em alguns casos, até a primeira metade do século XIX, as cidades tinham limites perfeitamente definidos: em geral, estavam amuralhadas de tal forma, que não se permitia entrar sem a aquiescência dos guardas que as protegiam. Este limite se chamava exido, e seus remanescentes ainda subsistem em algumas cidades modernas. Exido provém de exire, sair, verbo formado pelo antigo vocábulo latino exitus, saída, que também encontramos no inglês exit, com o mesmo significado.
Os fugitivos da justiça costumavam escapar para onde a jurisdição das autoridades urbanas não pudesse alcançá-los e iam viver fora do exido: eram os fora exido ou foraxidos.
Uma palavra equivalente formou-se em italiano com o verbo uscire, sair, que é a forma italiana de exire: fuoriuscito, mas hoje esta palara já não é equivalente ao nosso foragido, pois evoluiu para seu atual significado de exilado, desterrado.
As cidades medievais constituíram uma proteção para as pessoas que queriam defender-se de invasores estrangeiros, malfeitores e saqueadores. Formaram-se em redor dos castelos, como uma maneira de contar com a proteção dos senhores, e também no cruzamento de caminhos, por onde circulavam mercadorias que se convertiam em pretexto para as feiras.
Desde a Alta Idade Média e, em alguns casos, até a primeira metade do século XIX, as cidades tinham limites perfeitamente definidos: em geral, estavam amuralhadas de tal forma, que não se permitia entrar sem a aquiescência dos guardas que as protegiam. Este limite se chamava exido, e seus remanescentes ainda subsistem em algumas cidades modernas. Exido provém de exire, sair, verbo formado pelo antigo vocábulo latino exitus, saída, que também encontramos no inglês exit, com o mesmo significado.
Os fugitivos da justiça costumavam escapar para onde a jurisdição das autoridades urbanas não pudesse alcançá-los e iam viver fora do exido: eram os fora exido ou foraxidos.
Uma palavra equivalente formou-se em italiano com o verbo uscire, sair, que é a forma italiana de exire: fuoriuscito, mas hoje esta palara já não é equivalente ao nosso foragido, pois evoluiu para seu atual significado de exilado, desterrado.
Etimologia de "Claustrofobia"
Significa o medo patológico aos espaços fechados. Quem padece dessa neurose sofre acessos de pânico ou angústia quando se encontra, por exemplo, em um elevador ou num quarto pequeno e fechado. Segundo a psicanálise, a claustrofobia é causada por um sentimento de culpa relacionado com o desenvolvimento anormal da sexualidade.
A palavra – cunhada pelo criador da psicanálise, Sigmund Freud, e registrada em Português nos anos 20 do século passado – está formada pela voz latina claustro e a grega phobeoma, eu temo. Claustrum significa em latim, tranca, ferrolho, fechadura, tudo aquilo que serve para fechar um local e, por extensão, designa um recinto fechado. Derivado do verbo claudere, fechar, este vocábulo está também na origem de enclausurar, fechar de forma definitiva; de incluir, colocar dentro de um espaço fechado e de concluir, encerrar (no sentido de algo terminado).
Em inglês a palavra latina deu lugar aos verbos to close, fechar, e to disclose , revelar, dar a conhecer, além de originar muitos outros verbos compartilhados com a nossa Língua, tais como: include, incluir, conclude, concluir.
A palavra – cunhada pelo criador da psicanálise, Sigmund Freud, e registrada em Português nos anos 20 do século passado – está formada pela voz latina claustro e a grega phobeoma, eu temo. Claustrum significa em latim, tranca, ferrolho, fechadura, tudo aquilo que serve para fechar um local e, por extensão, designa um recinto fechado. Derivado do verbo claudere, fechar, este vocábulo está também na origem de enclausurar, fechar de forma definitiva; de incluir, colocar dentro de um espaço fechado e de concluir, encerrar (no sentido de algo terminado).
Em inglês a palavra latina deu lugar aos verbos to close, fechar, e to disclose , revelar, dar a conhecer, além de originar muitos outros verbos compartilhados com a nossa Língua, tais como: include, incluir, conclude, concluir.
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