sábado, 8 de julho de 2017

Nomes

Por Marcos Mairton

Às vezes fico observando os nomes das pessoas. Nunca me interessei por numerologia, mas, de vez em quando me pergunto: será que Napoleão teria sido quem foi se se chamasse Alberto? Ou Amarildo? E os meninos que depois foram chamados Napoleão? Sofreram ou sofrem alguma influência da personalidade daquele que fez famoso o nome? Joaquim teria se tornado o Mártir da Independência se não usasse a alcunha de Tiradentes? Zico teria sido tão bom jogador se houvesse permanecido Artur?
Em 1985, quando trabalhava no departamento de recursos humanos de um banco, participei da organização de um concurso para estagiários. Qual não foi a surpresa, minha e dos meus colegas de trabalho, quando percebemos que entre os inscritos havia dezenas de Robertos Rivelinos! Por quê? Porque o concurso era dirigido a jovens de quinze anos de idade, ou seja, nascidos em 1970. O que pretendiam os pais ao dar aos seus filhos o nome de um jogador da seleção brasileira tricampeã mundial? E, se o tricampeonato não houvesse sido conquistado, haveria tantos Robertos Rivelinos naquele ano?
São perguntas sem resposta. Mas, mesmo nomes que não nos remetem diretamente a pessoas de destaque acabam chamando a minha atenção. É que, apesar de os nomes próprios serem considerados pela gramática como substantivos, é fácil ver que há nomes que bem poderiam ser adjetivos ou verbos.
Por exemplo, Vilmar, Valdemar e Jair são nomes verbos. Verbos no infinitivo. Fernando, Orlando e Gumercindo também são verbos, mas são gerúndios. Maria é futuro do pretérito. Dirceu é pretérito perfeito. E Gilmara é pretérito mais que perfeito.
Alguns nomes adjetivos são fáceis de identificar. É assim com Prudente, Vicente e Amado, embora esse último possa ser um verbo no particípio. Outros nomes adjetivos são mais sutis, mas o leitor há de perceber como soa natural quando digo que meu vizinho “é um rapaz muito Sérgio”. Que “o ambiente estava um pouco Getúlio”. Ou que “meu professor de matemática é um rapaz Fábio”. E quem já não ouviu falar de uma mulher Amélia? Nomes adjetivos, sem dúvida.
Pode ser uma mania, pode ser apenas uma brincadeira, mas volta e meia me encontro refletindo sobre isso. Foi fazendo essas reflexões que percebi que meu nome não é adjetivo nem verbo. É substantivo mesmo.
Com o detalhe que, apesar de eu ser uma só pessoa, é um substantivo plural: Marcos.

Marcos Mairton

Escritor cearense, com vários livros publicados, membro fundador da Academia Quixadaense de Letras (AQL) e da Academia Brasileira de Cultura Jurídica (ABCJuris).
Twitter: @MarcosMairton

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