sexta-feira, 16 de junho de 2017

ÁGUA NO POTE: UM SANTO REMÉDIO

Há muito deixei de comprar jornal editado em papel. Na forma tradicional, os jornais matutinos e/ou vespertinos têm apenas uma publicação diária, pois não seria razoável publicá-los em nova edição gráfica a cada fato emergente, por mais extraordinário que seja. Em qualquer das formas, não haveria mesmo demanda tão cativa para os absorver com tanta frequência, dada a profusão de portais noticiosos internéticos. Uma consulta à internet resulta ter mais praticidade e menor custo.
Nesse passo, sempre que vou ao computador, observo o que se está a publicar nos grandes portais noticiosos. Verifico o que está a dizer o brasileiro G1, onde por vezes divirto-me com as chamadas gramaticalmente ambíguas e/ou pessimamente redigidas, tanto quanto acedo aos lusitanos Diário de Notícias e Jornal de Notícias. É-me sempre proveitoso ler as crônicas ou artigos publicados nestes dois últimos, sendo-me impossível não aprender algo novo ao final dessas leituras. Do ponto de vista linguístico, fico a observar coisas interessantes, como, por exemplo, o fato de um bom articulista português que vivera alguns anos no Rio de Janeiro saber manejar com grande proficiência e correção a variedade europeia do Português – o que lhe é natural – a par de ocasionalmente deixar-se trair pelo brasileiríssimo gerúndio, ou involuntariamente grafar “ônibus” em detrimento ao seu “autocarro”.
No dia 12 de dezembro de 2015, publicou-se no Diário de Notícias: “Casados há 90 anos dizem que o segredo é “nunca discutir”” [http://goo.gl/ejGV1x]. Isto não é maravilhoso? Trata-se de um homem e uma mulher, ambos indianos e pleonasticamente casados entre si, residentes no Reino Unido, que parecem ter descoberto a chave da felicidade. Asseguram nunca terem travado fortes argumentações conjugais. De mim para mim, fico a pensar qual seria o verdadeiro nível de comunicação entre os dois. Seriam mágicos, hábeis telepatas ou o segredo estaria no pote? Explico-lhes.
Uma ovelha consultou o seu pastor à alegação de sofrer constantes e intencionais insultos maritais. Na versão da queixosa, a convivência com o seu marido estava insustentável, pois a cada provocação sofrida correspondia uma reação uxória, realimentando todo o circuito vicioso. O ministro ouviu-a atentamente, analisou a situação exposta e deu-lhe uma garrafinha contendo um líquido incolor, insípido e inodoro. Antes de se opor a qualquer ofensa, deveria ela deitar o líquido numa caneca, e com ele encher a boca sem o ingerir. Deveria repetir o procedimento a cada vez que o marido a importunasse.
A mulher seguiu à risca o aconselhamento pastoral. Com o passar do tempo, percebeu que estando com a boca cheia d´água era-lhe impossível dar adequada resposta aos desaforos do marido, como, por igual, sem a reação que o reanimava, ele foi aos poucos deixando de a molestar. Entretanto, um probleminha surgiu-lhe: o líquido acabara. Sem saber onde o comprar, aquela senhora voltou ao gabinete pastoral e, entusiasmada, disse ao ministro:
– Pastor, aquele líquido é muito bom. Depois que passei a usá-lo nunca mais tive discussões com o meu marido. E, olhe, ele também melhorou muito, está praticamente curado. Poderia dar-me mais uma garrafinha desse santo remédio?
Em resposta, o pastor perguntou-lhe se em sua casa havia um pote com água.
– Sim, pastor, nós o temos.
– Então está resolvido. O líquido que lhe dei é água. Pode usar a que está em seu pote.
É isto. Ela seguiu a prescrição pastoral e nunca mais tiveram confrontações, até os nossos dias.
Ah, “mutatis mutandis”, a receita pode ser usada pelos homens.
Magno R Andrade
@magnoreisand – siga-me no Twitter
Magno Reis Andrade, protestante, brasileiro, nasceu em 17 de Junho de 1951, em Jequié, BA. Aos oito anos de idade, foi com os seus pais morar na capital baiana. Em 1969, foi admitido na Universidade Federal da Bahia, para, em 1973, bacharelar-se em Farmácia-Bioquímica. Com tal competência laborou até o ano de 1980, principalmente no Município de Bom Jesus da Lapa, BA. Lá, conheceu a sua futura esposa, a mesma que lhe daria as suas duas preciosas filhas. Em 1980, aceitou o desafio de trabalhar numa função pública municipal em Salvador, BA. Neste mesmo ano, ingressou no curso de Administração de Empresas, mantido pela Universidade Católica do Salvador, instituição que, em 1986, conferiu-lhe o respectivo grau de bacharel. Ainda em 1980, voltou à Universidade Federal da Bahia, para realizar o curso de Administração Pública, enfim, inconcluso por exiguidade de tempo. Mediante concurso público, em 1989 passou a exercer o cargo efetivo de Analista Judiciário no Tribunal Regional do Trabalho da Quinta Região, BA. Ao se reformar em Novembro de 2010, exercia há sete anos as funções de assessor jurídico no Serviço de Análise de Processos Judiciais, unidade organizacional de direto apoio à Presidência do Tribunal trabalhista. Em 1990, retornou à Universidade Católica do Salvador, desta feita para, em 1995, obter o grau de bacharel em Direito. Entre os anos de 1970 e 1973, integrou profissionalmente o Madrigal da Universidade Federal da Bahia. Gosta de idiomas, ama a língua portuguesa.

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