Torta de maçã acompanha o seus pedidos?
Lembro até hoje. Quando era criança [bem entendido, idade cronológica], os carros possuíam um item de série muito útil, chamado quebra-vento. Para os mais novos, o artefato em questão era um segmento vertical (se assim puder ser descrito) instalado nos vidros laterais dos automóveis. Tinham por função não permitir que, com o carro em movimento e as janelas abertas, a entrante massa de ar atingisse os rostos do motorista e/ou seu passageiro da frente. Utilíssimos em dias de chuva, quando apenas aquelas pequenas partes podiam ser abertas, mantendo secos os ocupantes do bólido. Importante salientar que nessa época, os carros não tinham ar condicionado. Também eram ótimos para quem tinha pai, mãe ou algum fumante no veículo. Algumas senhoras usavam seu trinco para pendurar a bolsa, mas deve ser boato e não interfere na continuidade aqui.
Sem fazer qualquer pesquisa e com reduzidas chances de erro, posso afirmar que este item foi cobrado como opcional em seu momento áureo, mesmo que tacitamente. No Brasil. Pela indústria automobilística nacional. Ah, sim, por ignorar a situação de fora daqui, este texto tem apenas o Brasil como território-aplicação. Um dia, inadvertidamente, eles simplesmente deixaram de existir. Os carros nunca mais foram fabricados com quebra-ventos. Provavelmente, por inadequação ao design trend de nossos dias ou por corte de custos e simplificação do portfólio produtivo. Ou por tudo isso junto. E não há qualquer evidência ou relato de que os preços sofreram qualquer redução depois dessa medida.
É bem verdade que o nível de consumo geral vivido hoje é superior ao de qualquer época anterior. A disponibilidade de recursos financeiros e a homogeneização do poder de compra também crescem há, pelo menos, três décadas por aqui. Tamanha avidez por bens leva as pessoas a, fatalmente, comprar coisas das quais não necessariamente precisam. Ou a pagar preços sem analisá-los profundamente. Torna-se relativamente fácil então, num cenário assim, por parte dos criadores de necessidades - os marqueteiros - a inclusão de quebra-ventos em cada pequena ou grande coisa que por eles é (re)inventada.
Quem toma café espresso sabe. Ou você compra o combinado café + biscoitinho + água com gás ou você não toma deste café. E, mesmo se não houver qualquer interesse pelos adicionais água e biscoito (e suas variações: mini pão de queijo, casca de laranja com açúcar, sequilho, pastilhas de chocolate, waffer (!), pequeno pedaço de brownie ou até – já vivi – uma mini bola de sorvete!), você será obrigado a pagar pelo conjunto. Já inflacionou o suficiente. E foi incorporado ao hábito das pessoas. Ao meu também.
Um amigo fez observação similar para o que está acontecendo com as varandas dos apartamentos. Alguém criou a sacada gourmet que, por princípio, é fantástica. Útil. Prática. Versátil. Incorpora algo das casas aos apartamentos. Um show de ideia. Mas, tente encontrar um apartamento em construção que não tenha uma varanda com churrasqueira, espaço pra mesa, cadeiras, pontos de rede etc. Virou tarefa árdua e aumentou o preço cobrado pelo metro quadrado. Até para quem é vegetariano ou macrobiótico e não come churrasco.
Outro exemplo interessante é o que aconteceu com as televisões a cabo. É mais difícil contratar um plano que forneça apenas alguns canais de TV, do que cancelar um plano com a Empresa contratada. Ou você compra tevê + internet + telefone fixo (...) ou fica com os enlatados nos canais abertos. Outra constatação: nas grandes redes de lanchonetes, cobra-se mais caro por um sanduíche desacompanhado do que se, junto a ele, o comensal aceitar e pagar pela jornada plena, envolvendo batatas fritas, bebida, sobremesa, brinquedos e outros.
Medidas como essa do quebra-vento não deveriam ser tomadas antes de uma pesquisa de opinião. Seria de mui bom grado se todos pudessem enxergar essas iniciativas da indústria como algo repugnante, e unidos, pudéssemos evitar a instalação de quebra-ventos no que ainda não tem. Do contrário, continuaremos pagando (cada vez) mais por aquilo que não pedimos, mesmo que isso signifique ficarmos livres do vento na cara.
[@GuiCarloni, Jan’13]
Esse blog é destinado aos interessados em Língua Portuguesa, cultura, leitura e educação que queiram, livre e criativamente, consultar, debater e apresentar suas ideias. Sejam todos muito bem-vindos! Vamos aprender juntos?
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
“O meu amigo...”
"O meu amigo..."
Pronto! Chegou o fim do ano. E, com ele, invariavelmente, vem toda a parafernália que condecora os sentimentos de ‘tchau, ano corrente’ e ‘benvindo, ano próximo’. Quem já me leu [perdão!] dissertando sobre o período Natal/Réveillon sabe que estou longe de ser um entusiasta das Festas. Não há nada que, honestamente, por três décadas e meia, haja me convencido a destacar Dezembro na dúzia de meses, nem a considerar os dias 24, 25, 31 e/ou o 1° Jan de alguma forma mais importantes do que seus três outros centos e meio de irmãos. Todos com suas 24 horas e alguns minutos. Sem muita pesquisa antropológica que explique suas razões e origens, é no pacote do fim de ano que surgem os amigos ocultos, amigos secretos e as variações mais modernas como o amigo da onça ou inimigo oculto. Há forma mais ignóbil de celebrar alguma coisa? Existe maneira mais impessoal de declarar ao seu sorteado o quanto você o considera? Se não, vejamos. Tudo começa com uma [ligeira ou declarada] coação. Sim, desconheço quem entre voluntariamente nessas ondas. Os que as organizam, estejam certos, o fazem também por coação. Ou por convenção social. Ou pra ser o bacana da turma. O que, no limite, é tudo a mesma coisa. Em seguida vem a fase do sorteio. Este pode ser feito à moda tradicional, com os nomes dos participantes lançados em papeizinhos e embaralhados em uma urna, geralmente improvisada; quando não dentro das mãos chacoalhantes de algum “voluntário”. Feita opção por este modo vintage, o sorteio é quase sempre executado na presença da maioria. Pode ser em algum bar. Ouvem-se gritos inexplicáveis a cada nome descoberto. Na última década, entretanto, vê-se um aumento considerável do sorteio em modo virtual. Encurta distâncias e, quiçá, os tempos. Os sites que oferecem este serviço (!) garantem que [i] você jamais sorteará seu próprio nome e [ii] ninguém conhecerá (pelo site) o resultado, até o dia da revelação. Obviedades que não interessam muito aos eleitores high tech. Se o pleito escolhido é então do tipo virtual, os gritos não são ouvidos e cada participante recebe um email com o nome do seu amigo oculto. Muitas vezes é depois do sorteio que se estipula um preço para os presentes. Há exceções e muita discussão. Trata-se de um limite sugerido para o valor máximo a ser gasto por cada membro, na tentativa de – de alguma forma – homogeneizar a ‘qualidade’ dos mimos. O valor mínimo, importante, fica a cargo do bom senso de cada um (e dos sentimentos mútuos também). Uma medida controversa, pode-se dizer. Se por um lado ela evita que um bom presente seja compensado com um par de meias marrons, um CD d’O Rappa ou outra tranqueira, por outro, não dá muita margem para que os participantes realmente queridos possam ganhar belos presentes. Mas é a regra do jogo. E, joga quem quer. Todos às compras. O momento doravante denominado REVELAÇÃO beira o insuportável. Diz a tradição da brincadeira que, antes de se revelar seu sorteado, cada participante deve se apossar da palavra e dar dicas para que os demais possam tentar adivinhar de quem se trata. Quem aqui não tem traumas infantis do momento que antecede a sua vez de dizer “o meu amigo secreto...”? Depois do terceiro ou quarto nome descoberto, originalidade e graça já migraram pro Sul. É muito simpático observar também que, seja nas confraternizações de empresas ou nas familiares, nem sempre o sorteado é um grande apreciado daquele que o sorteou. Aqui, sim, aqui e precisamente nesse lugar, reside um dos grandes males da humanidade “moderna”: a falsidade consciente. Seja em nome da coação, da aceitação sócio-corporativa e/ou da cara de pau, dão-se presentes, beijos e abraços como se merecidos fossem. Percebam. Rabugices à parte, se o foco estiver nos atos de dar e receber presentes, infiramos: não se aproveita muito dessas ocasiões. Se é gente não muito conhecida/querida, para que presentes? Não bastaria uma celebração rasa? Do contrário, por que cada um só pode manifestar seu agrado a UM sorteado? E por que nessa época? É como se existisse um momento de atração fatal onde todas as diferenças se apagassem. Tudo em nome da troca de um ano pelo outro, tão valiosa para muitos.
[GuiCarloni / dez 2012]
Pronto! Chegou o fim do ano. E, com ele, invariavelmente, vem toda a parafernália que condecora os sentimentos de ‘tchau, ano corrente’ e ‘benvindo, ano próximo’. Quem já me leu [perdão!] dissertando sobre o período Natal/Réveillon sabe que estou longe de ser um entusiasta das Festas. Não há nada que, honestamente, por três décadas e meia, haja me convencido a destacar Dezembro na dúzia de meses, nem a considerar os dias 24, 25, 31 e/ou o 1° Jan de alguma forma mais importantes do que seus três outros centos e meio de irmãos. Todos com suas 24 horas e alguns minutos. Sem muita pesquisa antropológica que explique suas razões e origens, é no pacote do fim de ano que surgem os amigos ocultos, amigos secretos e as variações mais modernas como o amigo da onça ou inimigo oculto. Há forma mais ignóbil de celebrar alguma coisa? Existe maneira mais impessoal de declarar ao seu sorteado o quanto você o considera? Se não, vejamos. Tudo começa com uma [ligeira ou declarada] coação. Sim, desconheço quem entre voluntariamente nessas ondas. Os que as organizam, estejam certos, o fazem também por coação. Ou por convenção social. Ou pra ser o bacana da turma. O que, no limite, é tudo a mesma coisa. Em seguida vem a fase do sorteio. Este pode ser feito à moda tradicional, com os nomes dos participantes lançados em papeizinhos e embaralhados em uma urna, geralmente improvisada; quando não dentro das mãos chacoalhantes de algum “voluntário”. Feita opção por este modo vintage, o sorteio é quase sempre executado na presença da maioria. Pode ser em algum bar. Ouvem-se gritos inexplicáveis a cada nome descoberto. Na última década, entretanto, vê-se um aumento considerável do sorteio em modo virtual. Encurta distâncias e, quiçá, os tempos. Os sites que oferecem este serviço (!) garantem que [i] você jamais sorteará seu próprio nome e [ii] ninguém conhecerá (pelo site) o resultado, até o dia da revelação. Obviedades que não interessam muito aos eleitores high tech. Se o pleito escolhido é então do tipo virtual, os gritos não são ouvidos e cada participante recebe um email com o nome do seu amigo oculto. Muitas vezes é depois do sorteio que se estipula um preço para os presentes. Há exceções e muita discussão. Trata-se de um limite sugerido para o valor máximo a ser gasto por cada membro, na tentativa de – de alguma forma – homogeneizar a ‘qualidade’ dos mimos. O valor mínimo, importante, fica a cargo do bom senso de cada um (e dos sentimentos mútuos também). Uma medida controversa, pode-se dizer. Se por um lado ela evita que um bom presente seja compensado com um par de meias marrons, um CD d’O Rappa ou outra tranqueira, por outro, não dá muita margem para que os participantes realmente queridos possam ganhar belos presentes. Mas é a regra do jogo. E, joga quem quer. Todos às compras. O momento doravante denominado REVELAÇÃO beira o insuportável. Diz a tradição da brincadeira que, antes de se revelar seu sorteado, cada participante deve se apossar da palavra e dar dicas para que os demais possam tentar adivinhar de quem se trata. Quem aqui não tem traumas infantis do momento que antecede a sua vez de dizer “o meu amigo secreto...”? Depois do terceiro ou quarto nome descoberto, originalidade e graça já migraram pro Sul. É muito simpático observar também que, seja nas confraternizações de empresas ou nas familiares, nem sempre o sorteado é um grande apreciado daquele que o sorteou. Aqui, sim, aqui e precisamente nesse lugar, reside um dos grandes males da humanidade “moderna”: a falsidade consciente. Seja em nome da coação, da aceitação sócio-corporativa e/ou da cara de pau, dão-se presentes, beijos e abraços como se merecidos fossem. Percebam. Rabugices à parte, se o foco estiver nos atos de dar e receber presentes, infiramos: não se aproveita muito dessas ocasiões. Se é gente não muito conhecida/querida, para que presentes? Não bastaria uma celebração rasa? Do contrário, por que cada um só pode manifestar seu agrado a UM sorteado? E por que nessa época? É como se existisse um momento de atração fatal onde todas as diferenças se apagassem. Tudo em nome da troca de um ano pelo outro, tão valiosa para muitos.
[GuiCarloni / dez 2012]
domingo, 21 de outubro de 2012
Expressões Curiosas
JURAR DE PÉS JUNTOS:
Mãe, eu juro de pés juntos que não fui eu.A expressão surgiu através das torturas executadas pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado pra dizer nada além da verdade.
Até hoje o termo é usado pra expressar a veracidade de algo que uma pessoa diz.
MOTORISTA BARBEIRO:
Nossa, que cara mais barbeiro!
No século XIX, os barbeiros faziam não somente os serviços de corte de cabelo e barba, mas também, tiravam dentes, cortavam calos, etc, e por não serem profissionais, seus serviços mal feitos geravam marcas.
A partir daí, desde o século XV, todo serviço mal feito era atribuído ao barbeiro, pela expressão "coisa de barbeiro".
Esse termo veio de Portugal, contudo a associação de "motorista barbeiro", ou seja, um mau motorista, é tipicamente brasileira..
TIRAR O CAVALO DA CHUVA:
Pode ir tirando seu cavalinho da chuva porque não vou deixar você sair hoje!
No século XIX, quando uma visita iria ser breve, ela deixava o cavalo ao relento em frente à casa do anfitrião e se fosse demorar, colocava o cavalo nos fundos da casa, em um lugar protegido da chuva e do sol.
Contudo, o convidado só poderia pôr o animal protegido da chuva se o anfitrião percebesse que a visita estava boa e dissesse: "pode tirar o cavalo da chuva".
Depois disso, a expressão passou a significar a desistência de alguma coisa.
À BEÇA:
O mesmo que abundantemente, com fartura, de maneira copiosa.
A origem do dito é atribuída às qualidades de argumentador do jurista alagoano Gumercindo Bessa, advogado dos acreanos que não queriam que o Território do Acre fosse incorporado ao Estado do Amazonas.
DAR COM OS BURROS N ' ÁGUA:
A expressão surgiu no período do Brasil colonial, onde tropeiros que escoavam a produção de ouro, cacau e café, precisavam ir da região Sul à Sudeste sobre burros e mulas.
O fato era que muitas vezes esses burros, devido à falta de estradas adequadas, passavam por caminhos muito difíceis e regiões alagadas, onde os burros morriam afogados.
Daí em diante o termo passou a ser usado pra se referir a alguém que faz um grande esforço pra conseguir algum feito e não consegue ter sucesso naquilo.
GUARDAR A SETE CHAVES:
No século XIII, os reis de Portugal adotavam um sistema de arquivamento de jóias e documentos importantes da corte através de um baú que possuía quatro fechaduras, sendo que cada chave era distribuída a um alto funcionário do reino.
Portanto eram apenas quatro chaves.
O número sete passou a ser utilizado devido ao valor místico atribuído a ele, desde a época das religiões primitivas.
A partir daí começou-se a utilizar o termo "guardar a sete chaves" pra designar algo muito bem guardado..
OK:
A expressão inglesa "OK" (okay), que é mundialmente conhecida pra significar algo que está tudo bem, teve sua origem na Guerra da Secessão, no EUA.
Durante a guerra, quando os soldados voltavam para as bases sem nenhuma morte entre a tropa, escreviam numa placa
"0 killed" (nenhum morto), expressando sua grande satisfação, daí surgiu o termo "OK".
ONDE JUDAS PERDEU AS BOTAS:
Existe uma história não comprovada, de que após trair Jesus, Judas enforcou-se em uma árvore sem nada nos pés, já que havia posto o dinheiro que ganhou por entregar Jesus dentro de suas botas.
Quando os soldados viram que Judas estava sem as botas, saíram em busca delas e do dinheiro da traição.
Nunca ninguém ficou sabendo se acharam as botas de Judas.
A partir daí surgiu à expressão, usada pra designar um lugar distante, desconhecido e inacessível.
PENSANDO NA MORTE DA BEZERRA:
A história mais aceitável para explicar a origem do termo é proveniente das tradições hebraicas, onde os bezerros eram sacrificados para Deus como forma de redenção de pecados.
Um filho do rei Absalão tinha grande apego a uma bezerra que foi sacrificada.
Assim, após o animal morrer, ele ficou se lamentando e pensando na morte da bezerra.
Após alguns meses o garoto morreu.
PARA INGLÊS VER:
A expressão surgiu por volta de 1830, quando a Inglaterra exigiu que o Brasil aprovasse leis que impedissem o tráfico de escravos.
No entanto, todos sabiam que essas leis não seriam cumpridas, assim, essas leis eram criadas apenas "pra inglês ver". Daí surgiu o termo.
RASGAR SEDA:
A expressão que é utilizada quando alguém elogia grandemente outra pessoa, surgiu através da peça de teatro do teatrólogo Luís Carlos Martins Pena.
Na peça, um vendedor de tecidos usa o pretexto de sua profissão pra cortejar uma moça e começa a elogiar exageradamente sua beleza, até que a moça percebe a intenção do rapaz e diz:
"Não rasgue a seda, que se esfiapa".
O PIOR CEGO É O QUE NÃO QUER VER:
Em 1647, em Nimes, na França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D`Argent fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel.
Foi um sucesso da medicina da época, menos pra Angel, que assim que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via.
Disse que o mundo que ele imaginava era muito melhor.
Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos.
O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano.
Angel ganhou a causa e entrou pra história como o cego que não quis ver.
ANDA À TOA:
Toa é a corda com que uma embarcação reboca a outra.
Um navio que está à toa é o que não tem leme nem rumo, indo pra onde o navio que o reboca determinar.
QUEM NÃO TEM CÃO, CAÇA COM GATO:
Na verdade, a expressão, com o passar dos anos, se adulterou.
Inicialmente se dizia quem não tem cão caça como gato, ou seja, se esgueirando, astutamente, traiçoeiramente, como fazem os gatos.
DA PÁ VIRADA:
A origem do ditado é em relação ao instrumento, a pá.
Quando a pá está virada pra baixo, voltada pro solo, está inútil, abandonada decorrentemente pelo Homem vagabundo, irresponsável, parasita.
NHENHENHÉM:
Nheë, em tupi, quer dizer falar.
Quando os portugueses chegaram ao Brasil, os indìgenas não entendiam aquela falação estranha e diziam que os portugueses ficavam a dizer "nhen-nhen-nhen".
VAI TOMAR BANHO:
Em "Casa Grande & Senzala", Gilberto Freyre analisa os hábitos de higiene dos índios versus os do colonizador português.
Depois das Cruzadas, como corolário dos contatos comerciais, o europeu se contagiou de sífilis e de outras doenças transmissíveis e desenvolveu medo ao banho e horror à nudez, o que muito agradou à Igreja.
Ora, o índio não conhecia a sífilis e se lavava da cabeça aos pés nos banhos de rio, além de usar folhas de árvore pra limpar os bebês e lavar no rio as redes nas quais dormiam.
Ora, o cheiro exalado pelo corpo dos portugueses, abafado em roupas que não eram trocadas com freqüência e raramente lavadas, aliado à falta de banho, causava repugnância aos índios.
Então os índios, quando estavam fartos de receber ordens dos portugueses, mandavam que fossem "tomar banho".
ELES QUE SÃO BRANCOS QUE SE ENTENDAM:
Esta foi das primeiras punições impostas aos racistas, ainda no século XVIII.
Um mulato, capitão de regimento, teve uma discussão com um de seus comandados e queixou-se a seu superior, um oficial português.
O capitão reivindicava a punição do soldado que o desrespeitara.
Como resposta, ouviu do português a seguinte frase:
"Vocês que são pardos, que se entendam".
O oficial ficou indignado e recorreu à instância superior, na pessoa de dom Luís de Vasconcelos (1742-1807), 12° vice-rei do Brasil.
Ao tomar conhecimento dos fatos, dom Luís mandou prender o oficial português que estranhou a atitude do vice-rei.
Mas, dom Luís se explicou:
Nós somos brancos, cá nos entendemos.
A DAR COM O PAU:
O substantivo "pau" figura em várias expressões brasileiras.
Esta expressão teve origem nos navios negreiros.
Os negros capturados preferiam morrer durante a travessia e, pra isso, deixavam de comer.
Então, criou-se o "pau de comer" que era atravessado na boca dos escravos e os marinheiros jogavam sapa e angu pro estômago dos infelizes, a dar com o pau.
O povo incorporou a expressão.
ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA, TANTO BATE ATÉ QUE FURA:
Um de seus primeiros registros literário foi feito pelo escritor latino Ovídio ( 43 a .C.-18 d.C), autor de célebres livros como "A arte de amar "e "Metamorfoses", que foi exilado sem que soubesse o motivo.
Escreveu o poeta:
"A água mole cava a pedra dura".
É tradição das culturas dos países em que a escrita não é muito difundida formar rimas nesse tipo de frase pra que sua memorização seja facilitada.
Foi o que fizeram com o provérbio, portugueses e brasileiros
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Texto de Guilherme Carloni Dias Jorge
mundial_idade
Chego mais ou menos na metade da vida (será?) e, do que conheci até então, se fosse possível escolher, para esta ou a uma eventual futura aparição na Terra, queria poder eleger por ter a habilidade de agachar dos indianos, a capacidade de correr dos quenianos, a civilidade dos chilenos, a pontualidade dos ingleses, a credibilidade dos alemães, a longevidade dos japoneses, a honestidade dos suíços, a religiosidade dos guatemaltecos, a fome dos italianos, a saúde dos noruegueses, a disciplina dos chineses, a boa-ira dos espanhóis, a habilidade escrita dos povos árabes, a resiliência dos russos, o isolamento australiano, o dinheiro dos norte americanos, a seriedade dos canadenses, a habilidade gramatical dos portugueses, as águas claras dos dominicanos, a capacidade de negociação dos paraguaios, os olhos azuis dos suecos, o conhecimento fluvial dos holandeses, o conhecimento histórico dos egípcios, o “poder” dos panamenhos, a habilidade culinária dos húngaros, uma (boa) porcentagem do petróleo dos iraquianos, as vestes dos filipinos, a resistência ao frio dos finlandeses, a resistência ao calor dos omaneses, a paz dos butaneses, o respeito e o amor aos animais dos sul africanos, um nome turco (obrigatoriamente substantivado), a organização dos singapurianos, a musicalidade dos angolanos, a não-mídia dos turcomenistãos, o espírito social dos cubanos, o tempero dos mexicanos, a vontade de viver dos gregos, acesso livre à carne de vaca dos uruguaios, a capacidade de recuperação dos croatas, a força física dos neozelandeses, o knowhow agrícola dos cambojanos, a habilidade política dos israelenses, a alegria dos poloneses e a (mesma) brasilidade com a qual fui agraciado nesta passagem.
G.Carloni, [Out/12]
Chego mais ou menos na metade da vida (será?) e, do que conheci até então, se fosse possível escolher, para esta ou a uma eventual futura aparição na Terra, queria poder eleger por ter a habilidade de agachar dos indianos, a capacidade de correr dos quenianos, a civilidade dos chilenos, a pontualidade dos ingleses, a credibilidade dos alemães, a longevidade dos japoneses, a honestidade dos suíços, a religiosidade dos guatemaltecos, a fome dos italianos, a saúde dos noruegueses, a disciplina dos chineses, a boa-ira dos espanhóis, a habilidade escrita dos povos árabes, a resiliência dos russos, o isolamento australiano, o dinheiro dos norte americanos, a seriedade dos canadenses, a habilidade gramatical dos portugueses, as águas claras dos dominicanos, a capacidade de negociação dos paraguaios, os olhos azuis dos suecos, o conhecimento fluvial dos holandeses, o conhecimento histórico dos egípcios, o “poder” dos panamenhos, a habilidade culinária dos húngaros, uma (boa) porcentagem do petróleo dos iraquianos, as vestes dos filipinos, a resistência ao frio dos finlandeses, a resistência ao calor dos omaneses, a paz dos butaneses, o respeito e o amor aos animais dos sul africanos, um nome turco (obrigatoriamente substantivado), a organização dos singapurianos, a musicalidade dos angolanos, a não-mídia dos turcomenistãos, o espírito social dos cubanos, o tempero dos mexicanos, a vontade de viver dos gregos, acesso livre à carne de vaca dos uruguaios, a capacidade de recuperação dos croatas, a força física dos neozelandeses, o knowhow agrícola dos cambojanos, a habilidade política dos israelenses, a alegria dos poloneses e a (mesma) brasilidade com a qual fui agraciado nesta passagem.
G.Carloni, [Out/12]
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Estender e Extensão
Estender e Extensão. Têm a mesma origem e grafias diferentes?
Sim. O dicionário da Língua Portuguesa, Larousse Cultural, Editora Universo, grafa:
Estender - v.t. (lat. extendere), com o sentido de maior superfície a; alargar, aumentar o conteúdo etc. Exemplos:
Sim. O dicionário da Língua Portuguesa, Larousse Cultural, Editora Universo, grafa:
Estender - v.t. (lat. extendere), com o sentido de maior superfície a; alargar, aumentar o conteúdo etc. Exemplos:
- "O projetista estendeu os modelos para atingir um design mais arrojado."
- "A casca de banana estendera-o no chão."
- "Por que a proprietária não estende a cerca até a divisa?"
- "Eu estendi a roupa no varal"
- "Estende a mão aos pobres, moça!"
- "A extensão desse país se perde nos números."
- "No sul pratica-se a agricultura extensiva."
- "Os cursos extensivos podem ser a melhor opção no momento. "
"S" e "X" por quê?
- No entanto, "estender" se escreve com "s" e "extensão" se escreve com "x", embora ambas as palavras tenham a mesma origem, ou seja, o mesmo radical latino, que é com "x": "extendere" e "extensione" ou “extensio”. Há explicação para isso?
- Sim. Há uma explicação histórica para isso: sabe-se que a palavra “estender” entrou para o léxico no século 13, originária do latim vulgar. E, no latim vulgar, o “x” , antes de consoante, tornava-se “s”. Dessa forma, o vocábulo entrou para nossa língua já com “s”.
- O vocábulo “extensão” aparece no léxico no século 18 e teve sua origem no latim clássico, ou seja, “extensione” e, por isso, manteve o “x” de sua origem (extensio). Como extensão, escreve-se também extenso, extensivo, extensibilidade.
sábado, 25 de agosto de 2012
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Um Cadinho Mió
" Já rodei muito na vida,
Quase o Brasil inteiro
Estradas do norte e do sul
Sem ter nenhum paradeiro.
Mas vou contar uma coisa
E nisso sou bem verdadeiro
Se o mineiro sai de Minas
Minas nunca sai do mineiro
E não pode sair mesmo
Digo de um jeito maneiro
Depois de conhecer o Brasil
Eu posso dizer bem faceiro
Que quem conhece Minas,
Conhece o Brasil inteiro
E orgulhar-se de ser de Minas
É orgulhar-se de ser brasileiro.
Veja o Norte de Minas
Igual a cearense Icó
Tanta seca e pobreza
Que faz qualquer um sentir dó
Aquele calor e secura
Lembra o sertão Seridó
Ali é praticamente o Nordeste.
Só que “um cadinho mió”
Sim, Minas também tem nordeste
Jequitinhonha, dizia minha avó.
Gente aguerrida e guerreira
Que sempre agüenta o jiló
Mas que sabe descansar sossegado
Pescar, esperar o anzol.
Parece o povo baiano
Só que um “cadinho mió”.
Mas é no vale do Mucuri
Que a terra parece de um faraó
Lá tem gente honrada e honesta
Que não vai para o xilindró
Lá o pessoal aproveita de tudo
Dá valor até ao mocotó
Parece muito a Paraíba
Só que é um “cadinho mió”
E o povo do nosso Rio Doce
Povo moreno queimado do sol
Mas que trabalha na terra
Quieto poupando o gogó
Naquelas terras bonitas
Canta alegre o curió
É um pedaço do Espírito Santo
Só que um “cadinho mió”.
E na zona da Mata
Antes, lá era o cafundó.
Hoje tem gente que pensa
Que lá só é festa: samba, baião, carimbó
Mas lá se trabalha bastante
Não pense que é só futebol
Lá é igual o Rio de Janeiro
Só que um “cadinho mió”.
E o nosso sul de Minas
Perseverante como o profeta Jó
Gente que não teme o trabalho
Num labor de sol a sol
Terra de gente importante
Vestida de gravata e paletó
Parece o povo paulista
Só que um “cadinho mió”.
E o povo cafeeiro
Com os pés sujos de pó
Não têm medo de nada
Neles ninguém dá o nó
Café com leite no Brasil
É o nosso grande xodó
Parece o sul de Brasil
Só que um “cadinho mió”
O povo do Triângulo
Que usando um braço só
Derruba um boi pelo chifre
Faz dele um simples totó
È um povo esperto e matreiro
Que não perde tempo fazendo filó
Igual o povo do Mato Grosso
Só que um “cadinho mió”.
E nas nossas Cidades Históricas
Tudo no estilo rococó
lugar de gente ilustre
Tiradentes, Juscelino, Zé Arigó
Terra de revolução e de luta
Inconfidência, revolta, quiproquó
Poderia ser a capital do país
Só que um “cadinho mió”
E no Alto Paranaíba
Café, pães de queijo e de ló
De frutas gostosas, o abricó
Lugar de aves campeiras
A ema, o pavão, o carijó
Lugar de festas famosas
Rezas, danças, forró
Parece muito Goiás
É só um “cadinho mió”.
Se em Minas está o Brasil
Em Belo Horizonte o Brasil é um só
Mineiro de todos os lados
Juntos, amarrados com grande nó
Aos pés da serra do curral
Pertinho da serra do cipó
Não deve nada pra nenhuma capital
Ói que a nossa é MUITO E MUITO MIÓ!!"
Autor desconhecido
Quase o Brasil inteiro
Estradas do norte e do sul
Sem ter nenhum paradeiro.
Mas vou contar uma coisa
E nisso sou bem verdadeiro
Se o mineiro sai de Minas
Minas nunca sai do mineiro
E não pode sair mesmo
Digo de um jeito maneiro
Depois de conhecer o Brasil
Eu posso dizer bem faceiro
Que quem conhece Minas,
Conhece o Brasil inteiro
E orgulhar-se de ser de Minas
É orgulhar-se de ser brasileiro.
Veja o Norte de Minas
Igual a cearense Icó
Tanta seca e pobreza
Que faz qualquer um sentir dó
Aquele calor e secura
Lembra o sertão Seridó
Ali é praticamente o Nordeste.
Só que “um cadinho mió”
Sim, Minas também tem nordeste
Jequitinhonha, dizia minha avó.
Gente aguerrida e guerreira
Que sempre agüenta o jiló
Mas que sabe descansar sossegado
Pescar, esperar o anzol.
Parece o povo baiano
Só que um “cadinho mió”.
Mas é no vale do Mucuri
Que a terra parece de um faraó
Lá tem gente honrada e honesta
Que não vai para o xilindró
Lá o pessoal aproveita de tudo
Dá valor até ao mocotó
Parece muito a Paraíba
Só que é um “cadinho mió”
E o povo do nosso Rio Doce
Povo moreno queimado do sol
Mas que trabalha na terra
Quieto poupando o gogó
Naquelas terras bonitas
Canta alegre o curió
É um pedaço do Espírito Santo
Só que um “cadinho mió”.
E na zona da Mata
Antes, lá era o cafundó.
Hoje tem gente que pensa
Que lá só é festa: samba, baião, carimbó
Mas lá se trabalha bastante
Não pense que é só futebol
Lá é igual o Rio de Janeiro
Só que um “cadinho mió”.
E o nosso sul de Minas
Perseverante como o profeta Jó
Gente que não teme o trabalho
Num labor de sol a sol
Terra de gente importante
Vestida de gravata e paletó
Parece o povo paulista
Só que um “cadinho mió”.
E o povo cafeeiro
Com os pés sujos de pó
Não têm medo de nada
Neles ninguém dá o nó
Café com leite no Brasil
É o nosso grande xodó
Parece o sul de Brasil
Só que um “cadinho mió”
O povo do Triângulo
Que usando um braço só
Derruba um boi pelo chifre
Faz dele um simples totó
È um povo esperto e matreiro
Que não perde tempo fazendo filó
Igual o povo do Mato Grosso
Só que um “cadinho mió”.
E nas nossas Cidades Históricas
Tudo no estilo rococó
lugar de gente ilustre
Tiradentes, Juscelino, Zé Arigó
Terra de revolução e de luta
Inconfidência, revolta, quiproquó
Poderia ser a capital do país
Só que um “cadinho mió”
E no Alto Paranaíba
Café, pães de queijo e de ló
De frutas gostosas, o abricó
Lugar de aves campeiras
A ema, o pavão, o carijó
Lugar de festas famosas
Rezas, danças, forró
Parece muito Goiás
É só um “cadinho mió”.
Se em Minas está o Brasil
Em Belo Horizonte o Brasil é um só
Mineiro de todos os lados
Juntos, amarrados com grande nó
Aos pés da serra do curral
Pertinho da serra do cipó
Não deve nada pra nenhuma capital
Ói que a nossa é MUITO E MUITO MIÓ!!"
Autor desconhecido
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Curiosidade: As dez maiores palavras da Língua Portuguesa
Provavelmente você nunca ouviu falar da maioria dessas palavras, e há probabilidade de que você nunca ouça mesmo. Boa parte dessas palavras são termos específicos da ciência e, por isso, nem no dicionário elas estão. Desafio: tente pronunciar cada uma delas em menos de dez segundos.
1 – pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconióticoNúmero de letras: 46
Significado: relativo a uma doença pulmonar aguda causada pela aspiração de cinzas vulcânicas
2 – paraclorobenzilpirrolidinonetilbenzimidazol
Número de letras: 43
Significado: substância presente em medicamentos como o Ultraproct
3 – piperidinoetoxicarbometoxibenzofenona
Número de letras: 37
Significado: substância presente em medicamentos como o Baralgin
4 – tetrabromometacresolsulfonoftaleína
Número de letras: 35
Significado: termo específico da área de química
5 – dimetilaminofenildimetilpirazolona
Número de letras: 34
Significado: substância ativa em vários comprimidos para dor de cabeça
6 – hipopotomonstrosesquipedaliofobia
Número de letras: 33
Significado: doença psicológica que se caracteriza pelo medo irracional (ou fobia) de pronunciar palavras grandes ou complicadas
7 – monosialotetraesosilgangliosideo
Número de letras: 32
Significado: substância presente em medicamentos como Sinaxal e o Sygen
8 – anticonstitucionalissimamente
Número de letras: 29
Significado: maior advérbio da língua portuguesa, significa o mais alto grau de inconstitucionalidade
9 – oftalmotorrinolaringologista
Número de letras: 28
Significado: profissional especializado nas doenças dos olhos, ouvidos, nariz e garganta
10 – inconstitucionalissimamente
Número de letras: 27
Significado: sinônimo de anticonstitucionalissimamente
Fonte: Livro Os 10 mais, de Luiz André Alzer e Mariana Claudino
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Concordância com percentuais
Uma dúvida comum a muita gente: a concordância com percentuais.
Então...será que, pelo menos, 50% dos leitores entenderam?
Por exemplo: 40% da população apoia ou apoiam as medidas?
Para saber a resposta, é preciso conhecer as regras de concordância com números percentuais:
1. Quando um número percentual é sujeito e está no plural (a partir de 2%), o verbo concorda com ele, fica também no plural: “30% dos moradores votaram contra a proposta”.
Admite-se, porém, a concordância no singular se o substantivo posposto ao número estiver no singular: “30% da população votou (ou votaram) contra a proposta”.
2. Quando ao número não se segue nenhum substantivo, a concordância é feita obrigatoriamente com o percentual: “30% votaram contra”.
Atenção! Quando o número for inferior a 2%, o verbo fica no singular, mesmo que o número venha acompanhado de nome plural:
“1,97% dos clientes ganha acima de 30 salários mínimos”;
“1% dos proprietários rurais, no Brasil, controla 48% do nosso território”;
“Só 0,3% das empresas está habilitado a exportar”.
Então...será que, pelo menos, 50% dos leitores entenderam?
sábado, 17 de dezembro de 2011
Etimologia de "HIDROGÊNIO" "HÉLIO" "CARBONO" "GALÁXIA" "SUPERNOVA"
HIDROGÊNIO - Do Grego HYDOR, “água”, mais GENOS, “nascimento”, pois ele produz água quando exposto ao oxigênio.
HÉLIO - Do Grego HELIOS, “sol”, pois esse elemento foi descoberto no espectro solar durante um eclipse em 1868.
CARBONO - Do Latim CARBO, “carvão”, constituído por este elemento.
GALÁXIA - Do Grego GALAXIAS KYKLOS, o “círculo de leite” (formado por estrelas) que parecia rodear nosso planeta. De GALAS, “leite”.
SUPERNOVA - Do Latim NOVA, “nova”, usado a partir de 1877 para designar uma estrela previamente não visível naquele local, mais SUPER, “acima, além”.
CARBONO - Do Latim CARBO, “carvão”, constituído por este elemento.
GALÁXIA - Do Grego GALAXIAS KYKLOS, o “círculo de leite” (formado por estrelas) que parecia rodear nosso planeta. De GALAS, “leite”.
SUPERNOVA - Do Latim NOVA, “nova”, usado a partir de 1877 para designar uma estrela previamente não visível naquele local, mais SUPER, “acima, além”.
Etimologia de "PURÊ"
A palavra "purê" significa “pirão, alimento esmagado”.
Vem do Latim PURARE, “supurar, fazer sair o pus”, pelo verbo francês PURER.
Depois dessa, vou ficar um bom tempo sem querer comer esse prato…
Vem do Latim PURARE, “supurar, fazer sair o pus”, pelo verbo francês PURER.
Depois dessa, vou ficar um bom tempo sem querer comer esse prato…
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Números - Numeral
Cardinais e Ordinais
NÚMERO, definição: s.m. Expressão da quantidade; conta certa; quantidade; unidade; coleção de unidades ou de partes da unidade; porção; abundância; série; categoria, classe; cada um dos exemplares de uma publicação periódica; um número do “diário Oficial”; bilhete de loteria; cada um dos quadros ou cenas de um espetáculo teatral de variedades;
- (liter.) harmonia, cadência que resulta da disposição das palavras na prosa ou no verso;- (gram.) propriedade, que têm as palavras invariáveis, de indicar por certas formas a unidade ou a pluralidade;
- (bras.) (fam.) diz-se do indivíduo desfrutável, ingênuo, engraçado: "esse sujeito é um número!";
- fazer número: figurar sem real utilidade, somente para aumentar o número;
- (arit.) número abstrato: aquele de que não se indica a natureza da unidade;
- (cron.) número áureo: o que indica a quantos se está do ciclo lunar;
- número complexo: o que é composto de diferentes espécies de unidades;
- número concreto: o que designa a espécie das unidades de que é formado;
- número inteiro: aquele que contém a unidade uma ou mais vezes;
- número misto: aquele que é formado de parte inteira e parte fracionária;
- número quebrado: o mesmo que número fracionário;
- número redondo: o que somente expressa as quantidades inteiras, desprezando as frações;
- pl. nome do último livro do Pentateuco;
- (arit.) números primos entre si: os que só têm por divisor a unidade. (Do lat. Numeru.) Globo, Dicionário
Numeral – Classe gramatical que costuma acompanhar o substantivo dando a idéia de: quantidade, ordem, multiplicação ou fração. De acordo com essas significações, o numeral classifica-se como:
| CARDINAL | indica quantidade | Ex.: um, dois, três, dez, vinte... |
| ORDINAL | indica ordem | Ex.: primeiro, segundo, terceiro... |
| MULTIPLICATIVO | indica multiplicação | Ex.: duplo, triplo, quádruplo... |
| FRACIONÁRIO | indica divisão, fração | Ex.: meio, um sexto, um décimo... |
Alguns numerais variam em gênero, exemplo: um, uma; dois, duas; e os de duzentos a novecentos.
Outros cardinais variam em número, exemplo: Milhão, milhões; bilhão, bilhões.
Todos os ordinais variam em gênero e número; exemplo: Primeiro, primeira; primeiros, primeiras.
Ambos é chamado numeral dual, porque sempre se refere a dois seres. Portanto, dizer "ambos os dois" é locução pleonástica absolutamente correta, assim como "ambos de dois", desde que usadas com discrição. Ex.: Perguntaram-me se Isabel e Isilda são minhas filhas. Respondo-lhes que o são ambas as duas (ou ambas de duas).
Figurativamente se usa o numeral para expressar número indeterminado. Ex.:
Já lhe disse isso mil vezes, e você ainda não aprendeu!
O garoto fez mil e uma na casa dos Sousas.
Os termos: anterior, posterior, derradeiro, extremo, final, último, penúltimo, antepenúltimo e outros semelhantes não se classificam como numerais, apesar de indicarem posição dos seres: são adjetivos.
Observações:
Na sucessão de séculos, capítulos, reis, anos, príncipes, papas etc.,empregam-se os ordinais de um a dez e os cardinais de onze em diante.
Exemplos: Século V (quinto), Pedro II, (segundo), Luís XIV (catorze), João XXIII (vinte e três), capítulo XV (quinze).
Para enumerar artigos de leis, decretos, portarias devemos nos utilizar dos ordinais até nove, e dos cardinais de dez em diante. Ex.: Artigo dez, artigo nono.
É mais comum usar-se o ordinal para o primeiro dia do mês. Ex.: primeiro de dezembro. Para os outros dias usam-se os cardinais.
Se o numeral aparecer anteposto ao substantivo é lido como ordinal. Ex.: XX Salão do automóvel (vigésimo).
Constantemente usamos os cardinais pelos ordinais. Ex.: casa vinte e um = a vigésima primeira casa; página trinta e dois = a trigésima segunda página.
Os cardinais um e dois não variam nesse caso porque está subentendida a palavra número; casa número vinte e um, página número trinta e dois. Por isso, devemos dizer e escrever também: a folhas vinte e um, a folhas trinta e dois.
Na linguagem forense, vemos o numeral flexionado, o que constitui uma impropriedade: a folhas vinte e uma, a folhas trinta e duas.
Não devemos abusar do emprego dos algarismos romanos. Nomes de logradouros públicos devem trazer algarismos arábicos. Ex.: Rua 15 de Novembro (e não Rua XV de Novembro), Avenida 11 de Agosto (e não Rua XI de Agosto). Observe que ninguém usa: Rua I de Maio, Avenida VII de Setembro, Largo II de Julho, Praça XXXI de Março.
Num texto dissertativo, vocábulos têm preferência a números, algarismos. Ex.:
Tenho dez filhos com mais de quinze anos de idade. (Em vez de: Tenho 10 filhos com mais de 15 de idade).
Se o ordinal é de 2.000º. Em diante, o primeiro numeral deve ser cardinal. Ex.:
No 2.056º Ano = No dois milésimo qünquagésimo sexto ano.
A 5.232ª pessoa = A cinco milésima ducentésima trigésima segunda pessoa.
Na língua contemporânea, usa-se o ordinal como o primeiro numeral, sem que isso constitua inconveniente. Ex.:
No 2.056º ano = No segundo milésimo qüinquagésimo sexto ano.
A 5.232ª pessoa = A quinta milésima ducentésima trigésima segunda pessoa.
Se o número for redondo, só é possível esse critério. Portanto:
No 2.000º ano = No segundo milésimo ano.
Ser o 3.000º colocado = Ser o terceiro milésimo colocado.
Ser a 5.000ª pessoa = Ser a quinta milésima pessoa.
Note a concordância nestes casos:
É uma e meia.
São seis horas da tarde.
Da minha casa à escola é um quilômetro.
Da minha casa ao clube são dez quilômetros.
Hoje é dia três de março.
Hoje são três de março.
A palavra um ou uma podem ser numeral ou artigo indefinido, caso tenha dúvida é só substituir a palavra um ou uma por: só (apenas, somente, unicamente).
Por exemplo: Não tinha dinheiro, por isso comprei um livro.
No caso, a palavra um é numeral, indica quantidade, assim, poderíamos dizer:
Não tinha dinheiro, por isso comprei só (apenas, somente, unicamente) um livro.
Achei um livro na gaveta.
Neste caso, a palavra um é um artigo, pois poderíamos dizer: Achei um livro qualquer na gaveta.
Numerais Coletivos
Certos numerais indicam um conjunto de seres. São os numerais coletivos. Eles indicam número delimitado. Eis alguns deles:
biênio - período de dois anos
bíduo - período de dois dias
casal - par, composto de macho e fêmea
centena - de cem
década ou decênio - período de dez anos
dezena - de dez
dúzia - de doze
grosa - doze dúzias ou cento e quarenta e quatro
lustro - período de cinco anos
milênio - período de mil anos
novena - período de nove dias
quadriênio - período de quatro anos
quarentena - período de quarenta dias
qüinqüênio - período de cinco anos
quinzena - período de quinze dias
século - período de cem anos
semana - período de sete dias
semestre - período de seis meses
tríduo - período de três dias
dístico - dois versos
| CARDINAIS | ORDINAIS | |||
| Arábicos | Romanos | Por extenso | Símbolo | Por extenso |
| 0 | ***** | zero | ***** | ***** |
| 1 | I | um | 1º | primeiro |
| 2 | II | dois | 2º | segundo |
| 3 | III | três | 3º | terceiro |
| 4 | IV | quatro | 4º | quarto |
| 5 | V | cinco | 5º | quinto |
| 6 | VI | seis | 6º | sexto |
| 7 | VII | sete | 7º | sétimo |
| 8 | VIII | oito | 8º | oitavo |
| 9 | IX | nove | 9º | nono |
| 10 | X | dez | 10º | décimo |
| 11 | XI | onze | 11º | décimo primeiro |
| 12 | XII | doze | 12º | décimo segundo |
| 13 | XIII | treze | 13º | décimo terceiro |
| 14 | XIV | quatorze | 14º | décimo quarto |
| 15 | XV | quinze | 15º | décimo quinto |
| 16 | XVI | dezesseis | 16º | décimo sexto |
| 17 | XVII | dezessete | 17º | décimo sétimo |
| 18 | XVIII | dezoito | 18º | décimo oitavo |
| 19 | XIV | dezenove | 19º | décimo nono |
| 20 | XX | vinte | 20º | vigésimo |
| 30 | XXX | trinta | 30º | trigésimo |
| 40 | XL | quarenta | 40º | quadragésimo |
| 50 | L | cinqüenta | 50º | qüinquagésimo |
| 60 | LX | sessenta | 60º | sexagésimo |
| 70 | LXX | setenta | 70ª | septuagésimo |
| 80 | LXXX | oitenta | 80º | octogésimo |
| 90 | XC | noventa | 90º | nonagésimo |
| 100 | C | cem | 100º | centésimo |
| 101 | CI | cento e um | 101º | centésimo primeiro |
| 200 | CC | duzentos | 200º | ducentésimo |
| 300 | CCC | trezentos | 300º | trecentésimo |
| 400 | CD | quatrocentos | 400º | quadringentésimo |
| 500 | D | quinhentos | 500º | qüingentésimo |
| 600 | DC | seiscentos | 600º | sexcentésimo |
| 700 | DCC | setecentos | 700º | setingentésimo |
| 800 | DCCC | oitocentos | 800º | octingentésimo |
| 900 | CM | novecentos | 900º | noningentésimo |
| 1000 | M | mil | 1000º | milésimo |
| FRACIONÁRIOS | MULTIPLICATIVOS | |
| Símbolo | Por extenso | |
| 1/1 | ***** | ***** |
| 1/2 | um meio, metade | duplo, dobro, dúplice |
| 1/3 | um terço | triplo, tríplice |
| 1/4 | um quarto | quádruplo |
| 1/5 | um quinto | quíntuplo |
| 1/6 | um sexto | sêxtuplo |
| 1/7 | um sétimo | sétuplo |
| 1/8 | um oitavo | óctuplo |
| 1/9 | um nono | nônuplo |
| 1/10 | um décimo | décuplo |
| 1/11 | um onze avo/s | undécuplo / onze vezes |
| 1/12 | um doze avo/s | duodécuplo / doze vezes |
| 1/13 | um treze avo/s | treze vezes |
| 1/14 | um quatorze avo/s | ***** |
| 1/15 | um quinze avo/s | ***** |
| 1/16 | um dezesseis avo/s | ***** |
| 1/17 | um dezessete avo/s | ***** |
| 1/18 | um dezoito avo/s | ***** |
| 1/19 | um dezenove avo/s | ***** |
| 1/20 | um vinte avo/s | ***** |
| 1/30 | um trinta avo/s | ***** |
| 1/40 | um quarenta avo/s | ***** |
| 1/50 | um cinqüenta avo/s | ***** |
| 1/60 | um sessenta avo/s | ***** |
| 1/70 | um setenta avo/s | ***** |
| 1/80 | um oitenta avo/s | ***** |
| 1/90 | um noventa avo/s | ***** |
| 1/100 | um cem avo/s, centésimo | cêntuplo |
| 1/101 | um cento e um avo/s | ***** |
| 1/200 | um duzentos avo/s, ducentésimo | duzentas vezes |
| 1/300 | um trezentos avo/s, trecentésimo | ***** |
| 1/400 | um quatrocentos avo/s, quadringentésimo | ***** |
| 1/500 | um quinhentos avo/s, qüingentésimo | ***** |
| 1/600 | um seiscentos avo/s, sexcentésimo | ***** |
| 1/700 | um setecentos avo/s, septingentésimo | ***** |
| 1/800 | um oitocentos avo/s, octingentésimo | ***** |
| 1/900 | um novecentos avo/s, nongentésimo | ***** |
| 1/1000 | um mil avo/s, um milésimo | ***** |
sábado, 26 de novembro de 2011
Texto do Superinterminável
SUPERINTERMINÁVEL
Parece que estou ouvindo minha mãe dizer que eu deveria agradecer a Deus pelo fato de poder ir ao supermercado e por ter um supermercado para ir. Mas eu agradeço, também por isso!
O problema é que eu não desfruto de talento para a coisa. Sofro do mal chamado “Resistência de Supermercado”. Sou uma cardiopata daqueles corredores gigantescos e das filas intermináveis. É muita demora para comprar apenas alguns itens. E também sempre há uma dúvida de preço, de produto, de promoção. Só revisar a validade de cada produto posto no carrinho é uma trabalheira danada.
Viciei nos mercadinhos feito para as urgências. É da infância o registro sonoro: “vai ali e compra um quilo de tomate, pó de café, uma lata de salsicha e um guaraná.” Miudezas que completam a despensa, naquele instante em que todo atraso estragará o ponto da comida.
Volto em cinco minutinhos. Não é necessário enfrentar nada nem ninguém no meio do caminho, nem dentro do mercadinho. Nem as malditas filas, esbarrões, são cem metros livres e desimpedidos.
Volto em cinco minutinhos. Não é necessário enfrentar nada nem ninguém no meio do caminho, nem dentro do mercadinho. Nem as malditas filas, esbarrões, são cem metros livres e desimpedidos.
Já fui muitas vezes ao supermercado. Para fazer compras e também só para analisar os outros. Percebi que há pessoas que consideram o supermercado uma arte. Procuram a perfeição. Acho que algumas mulheres pretendem superar a mãe introjetada, e não dar a mínima chance para sogra. Não buscam correr. Há uma diferença entre se preparar e apressar. Elas se preparam para o ato. Valorizam o ritual, reparar, comparar, comentar novidades, é regra começar a andança pelo setor predileto para terminar por aquele que menos as agradam. Há aquelas que consideram esquecer um item como um pecado, esquecer dois é um desastre. Passam horas reclamando e se mortificando da falha. Têm um aproveitamento de 98%, mas não se aquietam.
Para algumas mulheres, o supermercado deve ter sido a praça da infância. O parque de diversão. Ficam tão à vontade que consomem aquilo que estão comprando. É uma relação atávica de criança, a fome faz parte da motricidade: balançar e comer pipoca, andar de gangorra e comer algodão doce.
Algumas escolhem as uvas, pesam e vão degustando uma por uma até o fim enquanto passeiam pelos corredores. Depois abrem um pacote de salgadinhos e o esvazia antes de passar no caixa. Sem contar a mão cheia de pãezinhos de queijo já consumidos na fila do pão. Comem no mercado porque se sentem em casa. É o único lugar em que não falta nada.
Algumas escolhem as uvas, pesam e vão degustando uma por uma até o fim enquanto passeiam pelos corredores. Depois abrem um pacote de salgadinhos e o esvazia antes de passar no caixa. Sem contar a mão cheia de pãezinhos de queijo já consumidos na fila do pão. Comem no mercado porque se sentem em casa. É o único lugar em que não falta nada.
Os homens são totalmente objetivos. Em tudo. Vão pegando, pegando e andando como se fosse tudo de graça. Não importa a marca ou o tamanho. Não comparam os preços dos produtos similares. Precisa? Então pega!
Confesso que de todas as tarefas do meu dia a dia, ir ao supermercado é a mais penosa. O que me apavora não são apenas as filas intermináveis, é que ele é uma lei de Murphy permanente.
Sempre compro algo que não preciso, o estacionamento está sempre cheio e num corredor tinha vaga, o caixa (escolhido a dedo) sempre acende a luz e precisa de um troco, esse mesmo caixa sempre demora mais que o do lado. O empacotador sempre coloca o detergente junto com o queijo, e sempre esqueço algo que precisava.
Quando faço a tal listinha, sempre a esqueço em casa ou no carro, ou esqueço um item que precisava estar na listinha. A rodinha do meu carrinho sempre está quebrada e o cara da frente, na fila interminável do pão, pede, no mínimo, 80 pães. Sem contar aquele negócio de “prova” grátis, que sempre acaba na minha vez.
Quando entro no supermercado, pergunto a um funcionário onde fica tal produto e ele sempre faz aquela cara de não-entendo-sua-língua, olha para as ilegíveis plaquinhas (coisa que eu já fiz, mas o estúpido acha que não) e me manda pro corredor mais longe que existe, e, lá alguém pode ser que me ajude....e o mais irritante, repito: as filas intermináveis.
Sobre o caixa, não falo quase nada: É uma fila filha da fila, um povo mais mal humorado que eu, a fita do papel que acaba, a falta de um código, a digitação errada de um preço que depende de um supervisor para ser corrigida... é o fim!
E ainda me perguntam por que eu não gosto de supermercado. Pode ser tudo isso, mas não é. Eu não sei o porquê, mas eu não gosto, aliás, eu odeio! Pode ser por ter que batalhar por uma vaga no estacionamento, tirar coisas da prateleira, colocar no carrinho, tirar do carrinho, colocar no caixa, tirar do caixa, colocar nas sacolas, pegar as sacolas, colocar outra vez no carrinho, tirar do carrinho, colocar no carro, tirar do carro, colocar na cozinha, tirar das sacolas, colocar no armário, na geladeira, no banheiro..... Aaaahhhhhh, detesto!
E as filas, então? In-ter-mi-ná-veis...
Ir ao supermercado? Agradecida, mamãe!
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Concordância do verbo "ser"
O verbo "ser" tem uma característica muito especial: é o único na língua portuguesa que permite a concordância com o predicativo.
Essa característica nos faculta escolher entre "Tudo é flores" ou "Tudo são flores", só para ficar num exemplo clássico.
O fato é que, com o verbo "ser", não importa muito a função sintática. É tudo uma questão de preferência, que pode ser resumida assim:
1. Sujeito coisa e predicativo coisa - a preferência é pela coisa plural: "Nossa força são as florestas".
2. Sujeito pessoa e predicativo pessoa - como no caso anterior, preferência pela forma plural: "Aqueles personagens eram um só ator"; "Um só ator eram aqueles personagens".
3. Oração formada por pessoa e coisa - independentemente da função sintática desses termos (sujeito ou predicado), o verbo concorda preferencialmente com a pessoa: "As crianças são o melhor do mundo"; "O melhor do mundo são as crianças".
4. Oração formada por pessoa e pronome pessoal - qualquer que seja a função sintática deles, a preferência é pelo pronome: "O comandante, trabalhadores do Brasil, sois vós".
5. Coisa e pronome - independentemente da função sintática, preferência pelo pronome: "A cor dessa cidade sou eu".
6. Sujeito pronome pessoal e predicativo pronome pessoal - preferência pelo pronome sujeito: "Eu sou eles amanhã", "Eles são eu amanhã".
UM CASO ESPECIAL
Numa oração em que o sujeito está indeterminado (sem artigo, pronome ou adjetivo) e o predicativo é representado por adjetivos como "bom", "necessário" e "proibido", o verbo "ser" não varia: "Vitaminas é bom para todos", "Comida é necessário", "É proibido cães".
Se, porém, o sujeito estiver determinado, a concordância será normal: "A vida é boa"; "É necessária a sua ajuda"; "São proibidas pessoas estranhas".
Convém acrescentar que o adjetivo "preciso", quando abre a oração, fica no singular, estando ou não determinado o sujeito: "É preciso a participação popular"; "É preciso muitas qualidades para trabalhar naquela empresa".
DESAFIO
Qual frase está de acordo com a norma culta?
a) Eram perto das 12 horas.
b) Era perto das 12 horas.
c) “a” e “b” estão corretas.
RESPOSTA
Indicando horas e seguido de locuções como "perto de", "cerca de", "mais de", o verbo "ser" tanto pode concordar no singular como no plural. Portanto, "a" e "b" estão corretas.
Essa característica nos faculta escolher entre "Tudo é flores" ou "Tudo são flores", só para ficar num exemplo clássico.
O fato é que, com o verbo "ser", não importa muito a função sintática. É tudo uma questão de preferência, que pode ser resumida assim:
1. Sujeito coisa e predicativo coisa - a preferência é pela coisa plural: "Nossa força são as florestas".
2. Sujeito pessoa e predicativo pessoa - como no caso anterior, preferência pela forma plural: "Aqueles personagens eram um só ator"; "Um só ator eram aqueles personagens".
3. Oração formada por pessoa e coisa - independentemente da função sintática desses termos (sujeito ou predicado), o verbo concorda preferencialmente com a pessoa: "As crianças são o melhor do mundo"; "O melhor do mundo são as crianças".
4. Oração formada por pessoa e pronome pessoal - qualquer que seja a função sintática deles, a preferência é pelo pronome: "O comandante, trabalhadores do Brasil, sois vós".
5. Coisa e pronome - independentemente da função sintática, preferência pelo pronome: "A cor dessa cidade sou eu".
6. Sujeito pronome pessoal e predicativo pronome pessoal - preferência pelo pronome sujeito: "Eu sou eles amanhã", "Eles são eu amanhã".
UM CASO ESPECIAL
Numa oração em que o sujeito está indeterminado (sem artigo, pronome ou adjetivo) e o predicativo é representado por adjetivos como "bom", "necessário" e "proibido", o verbo "ser" não varia: "Vitaminas é bom para todos", "Comida é necessário", "É proibido cães".
Se, porém, o sujeito estiver determinado, a concordância será normal: "A vida é boa"; "É necessária a sua ajuda"; "São proibidas pessoas estranhas".
Convém acrescentar que o adjetivo "preciso", quando abre a oração, fica no singular, estando ou não determinado o sujeito: "É preciso a participação popular"; "É preciso muitas qualidades para trabalhar naquela empresa".
DESAFIO
Qual frase está de acordo com a norma culta?
a) Eram perto das 12 horas.
b) Era perto das 12 horas.
c) “a” e “b” estão corretas.
RESPOSTA
Indicando horas e seguido de locuções como "perto de", "cerca de", "mais de", o verbo "ser" tanto pode concordar no singular como no plural. Portanto, "a" e "b" estão corretas.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Etimologia de "Bolero"
Não se conhece, com certeza, a procedência do nome deste rítmo andaluz originado no século XVIII, modernizado em Cuba e convertido em sucesso latino-americano na primeira metade do século XX.
Sabe-se que, em certa época, chamou-se “bolero” o chapéu de dança andaluz, e hoje tem a acepção, entre outras, de chapéu copado, o que poderia ter levado a se dar o mesmo nome para a dança. Mas também se aplica em espanhol antigo, a quem diz muitas mentiras com base na gíria cigana “bola”, mentira.
No Dicionário castelhano de Terreros, está registrado com o sentido de “menino que falta à escola sem que sua família saiba”.
Todas estas acepções levaram Corominas a formular a hipótese, não suficientemente comprovada, de que o vocábulo "bolero" poderia haver nascido associado à ideia de vagal, homem sem profissão. No entanto, o mesmo autor também apresentou a possibilidade de que a palavra tenha se derivado do castelhano “vuelo” - voo -, pois o bolero é todo em saltos, como um voo.
Sabe-se que, em certa época, chamou-se “bolero” o chapéu de dança andaluz, e hoje tem a acepção, entre outras, de chapéu copado, o que poderia ter levado a se dar o mesmo nome para a dança. Mas também se aplica em espanhol antigo, a quem diz muitas mentiras com base na gíria cigana “bola”, mentira.
No Dicionário castelhano de Terreros, está registrado com o sentido de “menino que falta à escola sem que sua família saiba”.
Todas estas acepções levaram Corominas a formular a hipótese, não suficientemente comprovada, de que o vocábulo "bolero" poderia haver nascido associado à ideia de vagal, homem sem profissão. No entanto, o mesmo autor também apresentou a possibilidade de que a palavra tenha se derivado do castelhano “vuelo” - voo -, pois o bolero é todo em saltos, como um voo.
Abbottabad
Abbottabad: A cidade paquistanesa onde o terrorista Osama bin Laden terminou seus dias tomou seu nome do general britânico Sir James Abbott, que a fundou em 1853, pouco depois de as forças da Rainha Vitória anexarem o Punjab.
Na língua urdu, o nome significa algo como “cidade de Abbott”, assim como Islamabad é a cidade do Islam.
O nome Abbottabad, conhecido em nossa língua a partir do assassinato de Bin Laden, foi empregado até agora sem qualquer mudança ortográfica pela maior parte da imprensa.
Na língua urdu, o nome significa algo como “cidade de Abbott”, assim como Islamabad é a cidade do Islam.
O nome Abbottabad, conhecido em nossa língua a partir do assassinato de Bin Laden, foi empregado até agora sem qualquer mudança ortográfica pela maior parte da imprensa.
Etimologia de "Correio"
No Brasil denomina-se "Correios" por se tratar de mais de um serviço: "Correios e Telégrafos".
Definição geral: É o nome do serviço público, que tem por objeto o transporte da correspondência oficial e privada, e também designa a pessoa que tem por ofício, levar a correspondência de um lugar para outro. Por extensão, é também o veículo que leva a correspondência.
Definição geral: É o nome do serviço público, que tem por objeto o transporte da correspondência oficial e privada, e também designa a pessoa que tem por ofício, levar a correspondência de um lugar para outro. Por extensão, é também o veículo que leva a correspondência.
Palavra comum a várias línguas romances, sua origem é duvidosa, embora se suponha que provém do provençal antigo “corrieu”, composta de “corir”, correr, e “lieu”, lugar.
Este termo também denotava a pessoa que ia de um lugar a outro com cartas e mensagens. No entanto, alguns chamaram a atenção para a importância que pode ter tido em sua formação, o vocábulo do castelhano antigo “correo”, que nos tempos de El Cid Campeador significava bolsa para levar dinheiro. Esta hipótese deixa sem explicar como chegou esta palavra, naqueles tempos de comunicações difíceis e de viagens raras e intermináveis, ao italiano “corriere” e ao francês “courrier”, ao catalão “correu”, ao provençal “corrieu” e ao português correio.
É mais clara a etimologia do adjetivo "postal", proveniente do latim “positus”, o nome dos postos de correio situados ao longo dos caminhos, destinados ao descanso dos cavalos dos mensageiros.
É mais clara a etimologia do adjetivo "postal", proveniente do latim “positus”, o nome dos postos de correio situados ao longo dos caminhos, destinados ao descanso dos cavalos dos mensageiros.
terça-feira, 12 de julho de 2011
A Concordância na Voz Passiva
A voz passiva sintética é uma ilustre desconhecida para a maioria. É por isso que predominam frases equivocadas como “Vende-se carros”, “Aluga-se salas” e “Contrata-se costureiras”.
A gramática nos ensina que existem três vozes:
A gramática nos ensina que existem três vozes:
– ativa, o sujeito pratica a ação: “Ele vende carros”;
- passiva, o sujeito sofre a ação: “Vendem-se carros” ou “Carros são vendidos”;
- reflexiva, o sujeito pratica e sofre a ação: “Ele se cortou”.
O grande problema é que, geralmente, não entendemos que nas orações, o sujeito pode ser passivo e vemos o substantivo (que exerce a função de sujeito) como objeto direto, por isso diz “Vende-se carros”.
O grande problema é que, geralmente, não entendemos que nas orações, o sujeito pode ser passivo e vemos o substantivo (que exerce a função de sujeito) como objeto direto, por isso diz “Vende-se carros”.
É isso que leva alguns linguistas a dizer que no português do Brasil não existe a voz passiva sintética e que o substantivo dessa estrutura é realmente um objeto direto.
Será mesmo? Vamos pronominalizar o termo “carros” da construção popular “Vende-se carros”.
Que pronome usaremos? Se “carros” é objeto direto, o pronome que substitui objeto direto é o oblíquo, neste caso,“os”.
Fica, dessa forma, “Vende-se os”.
Ruim, não é?
Vamos tentar com outro pronome: “Vende-se eles”.
Agora, sim, ficou bom.
Sabe por quê? Porque “ele” é pronome pessoal que exerce a função de sujeito.
Isso prova que “carros” é sim o sujeito da oração, tanto que foi substituído por um pronome que pode exercer a função de sujeito.
Não há dúvida, portanto, que existe a voz passiva sintética.
Se alguém não sabe identificá-la, são outros quinhentos.
E pode haver várias causas. Uma delas: a qualidade do nosso ensino.
Será mesmo? Vamos pronominalizar o termo “carros” da construção popular “Vende-se carros”.
Que pronome usaremos? Se “carros” é objeto direto, o pronome que substitui objeto direto é o oblíquo, neste caso,“os”.
Fica, dessa forma, “Vende-se os”.
Ruim, não é?
Vamos tentar com outro pronome: “Vende-se eles”.
Agora, sim, ficou bom.
Sabe por quê? Porque “ele” é pronome pessoal que exerce a função de sujeito.
Isso prova que “carros” é sim o sujeito da oração, tanto que foi substituído por um pronome que pode exercer a função de sujeito.
Não há dúvida, portanto, que existe a voz passiva sintética.
Se alguém não sabe identificá-la, são outros quinhentos.
E pode haver várias causas. Uma delas: a qualidade do nosso ensino.
Para identificar a voz passiva sintética, o primeiro passo é entender que existem orações em que o sujeito sofre a ação expressa pelo verbo, ou seja, é passivo.
O segundo é saber que todas as orações na voz passiva sintética têm esta estrutura: verbo transitivo direto (que pede complemento sem preposição) acompanhado da partícula apassivadora “se” e de substantivo, que é o sujeito passivo e leva o verbo a concordar com ele.
Veja: “Alugam-se casas”.
Veja: “Alugam-se casas”.
Estrutura da oração: verbo transitivo direto + se + substantivo/sujeito passivo.
Há vezes em que o “se” vem antes do verbo e a estrutura muda um pouquinho: “Em Bruxelas dificilmente se veem mendigos”.
Estrutura da oração: se + verbo transitivo direto + substantivo/sujeito.
Importante também é saber que todas essas orações podem ser passadas para a voz passiva analítica, que tem a seguinte estrutura:
Estrutura da oração: se + verbo transitivo direto + substantivo/sujeito.
Importante também é saber que todas essas orações podem ser passadas para a voz passiva analítica, que tem a seguinte estrutura:
- substantivo/ sujeito passivo + verbo ser + particípio.
Ou seja:
Ou seja:
“Alugam-se casas” se transforma em “Casas são alugadas”;
“Em Bruxelas dificilmente se veem mendigos” vira “Em Bruxelas dificilmente mendigos são vistos”.
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